Quem sou eu

Eu me chamo Lara Ferreira Rocha e tenho 25 anos. Sou dentista, paciente oncológica, e moro em Fortaleza. Tenho muita história pra contar...
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.

Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também!



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Melhorando e gostando

Hum, como estão todos? Eu estou ficando cada vez melhor. As notícias estão cada vez mais esparsas, mas está tudo tranquilo.
Ainda não estou correndo, fazendo arte, de jeito algum!

Quinta-feira, após análises minha e de meus exames de sangue, ficou decidido que eu estava em condições de receber a droga da quimioterapia, e assim foi feito.
Sexta, recebi a visita de um dos meus médicos, que fez mais exames básicos -- aqui em casa mesmo, né? --, e reafirmou que estava vendo outra pessoa naquele instante.
Eu sei é que há alguns dias eu vinha prestando atenção na barriga. Achava que ela não estava mais amolecendo, como é para ser: estava durinha e estava aumentando de tamanho, não diminuindo. Isso não era possível!
Depois de me olhar novamente, ele concordou e marcou uma para-sentese (retirada de líquidos).

Sábado fui ao médico e tive que andar todo o percurso, que incluía uma pequena escada e longo corredor. Sentei na poltrona e parecia que eu tinha andado quilômetros. A volta foi igualmente dolorosa, isso me tirou forças, mas logo as esqueci.

Domingo curti um chochilo delicioso, o que, infelizmente, fez com que eu não curtisse tanto o meu amor maravilhoso no dia dos namorados.

Ontem e hoje eu pude perceber uma grande diferença no meu estado físico, me achei mais disposta.

Beijos!

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O que sei

Pra eu não demorar a dar satisfação, digo aqui o que sei até agora, e que não é oficial:
Provavelmente, e é praticamente certeza, o que está atrapalhando a recuperação do fígado é o medicamento que eu tô utilizando, o Torisel. Já falei um pouco dele aqui e aqui.

Eu falei que não fiz o tratamento dessa semana, ? E meu médico de Fortaleza ficou de entrar em contato com o médico de São Paulo para resolver essa questão.
Como eu estava quase arrancando os cabelos de curiosidade. Talvez nem isso, mas querendo saber a solução, perturbei o meu médico daqui -- que ainda não tinha tido resposta do médico de lá --, e ele me passou umas coordenadas.

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Complicado

Essas mãozinhas que aqui escrevem pertencem a um corpinho complicado: ele vive pregando peças em mim, e ainda estamos longe de abril!

Eis aqui o meu relato:
A pessoa, depois de dias que merecem ser esquecidos, se sente a maravilha das maravilhas. Comendo de tudo, com coragem pra sair de casa, uma beleza.
Começou uma chuva enorme, mas eu tinha que fazer um exame de sangue, lá fui eu, ontem, pro laboratório.
Tive uma boa conversa com a atendente, falamos sobre tratamento quimioterápico, achei todos tão simpáticos!

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Ótima!

Aê, meus queridos, estou de volta!
Como é bom estar bem de novo, viu? O mais importante é que estou comendo tuuudo de novo! (Olha a minha alegria!)

O tempo passando cada vez mais rápido... Por que mesmo, gente?
Falando que nem uma jornalista agora, tenho tantas ideias pra escrever, tantas pautas, mas cadê o tempo?
Porque, sinceramente, esse negócio de ficar até altas horas fazendo algo pra me estressar passou, não existe. Me poupo dum negócio desses.

Meu tratamento na segunda-feira foi ótimo. Como os remédios vão "perdendo" o efeito após o uso constante, eu já nem fico mais tão sonolenta com o anti-alérgico que eu tomo pré-quimioterapia -- vou continuar chamando de quimioterapia, tá? Apesar de ser um tratamento diferenciado, assim fica mais fácil eu me fazer entendida.

Fiquei muito triste observando uma pessoa na clínica onde eu faço o tratamento. Vi como somos tão frágeis! Vi que eu estou errada em falar que as pessoas são fracas e medrosas... Mas isso fica pra outro dia.

Beijos!

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Torisel ®

Como deu pra perceber no post anterior, eu estava 'boiando' quando o assunto era a droga "nova" utilizada por mim.
Com a quantidade de reações que eu tive e que, até então, eram desconhecidas, achei, por bem, descobrir um pouco mais sobre a Temsirolimus.
(Ah, aproveito pra falar que ou vou parar ou vou dar uma pausa no tratamento com essa medicação, tudo por causa dos efeitos colaterais.)
Fui pesquisar e encontrei algumas coisinhas legais.

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Os efeitos da Tems

Quem dá uma olhada no Twitter do blog já sabe que eu comecei o ano com uma infecção urinária, né?
Me deu uma baita cólica, a vontade de urinar gigantesca, e depois dores ao fazer xixi. Lá fui eu correr pra ligar pro meu médico e saber como proceder.
Ainda nessa época, fiz exames de sangue e urina, comecei um tratamento com antibióticos e, poucos dias depois, estava boa.

Anterior e concomitantemente à essa infecção urinária, comecei a sentir um prurido em todo o meu corpo. Entenda-se: coceira.
Sério, sem limites: pés, cabeça, pescoço, pernas etc. Não dei lá a importância necessária. Apesar do desconforto, a dor ganhava do comichão.

Nesse meio tempo, comecei a suspeitar que era culpa da pele seca, efeito adverso da medicação que eu estou tomando. Minha pele realmente estava ficando ressecada e esbranquiçada, além de eu ter reduzido o consumo de água.
Pronto, resolvi: "Vou tomar água e passar hidratante o dia todo!"
Não adiantou.

Pensei, então, que fosse alergia à algo que eu estava usando, sei lá, mas o anti-alérgico não deu fim.
E o fígado, estava bom? Parecia que sim.

Ok, passaram-se três semanas, e eu nada de comentar com o meu médico -- coisa doida, levei o maior carão.
Domingo eu não aguentei mais e liguei pra ele, pedi que me atendesse na segunda-feira, antes de começar meu tratamento.

Fiz exames e mais exames, chega me assustei. Ele mesmo não encontrou indícios de alergia em minha pele, pelo menos não externamente.
A ultrassonografia não mostrou novidades, mesmo com o maior enfoque no fígado.
Fiz hemograma, glicose, colesterol, triglicerídeos... Me espantei com todos, excluindo-se o hemograma. O hemograma estava bom.

Certo que eu não tenho como comparar colesterol e afins, porque taí uns exames que eu nunca faço, mas a minha glicose, que dá baixinha mesmo sem eu fazer jejum, deu 146mg/dL!
Quase caio pra trás, mas sem alarde, óbvio. E dá-lhe a ligar pro médico, pra pedir uma explicação.

Sabe o que eu descobri?
Provavelmente estou com alergia ao tratamento, à Temsirolimus.
Alergia que vem de dentro, que esconde a irritação... e que, por acaso, não tem cessado com anti-histamínicos.
Estou com glicose, triglicerídeos e colesterol altamente alterados, mas é coisa do Tems também.

Só acontece comigo mesmo... hahaha

Semana que vem tem o PET em São Paulo e suas chuvas torrenciais!

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Buzaid na TV

Quem gosta de dormir até tarde e quem tá trabalhando porque recesso nem existe, perdeu hoje o programa da Ana Maria Braga, o Mais Você.

Uma amiga me avisou por mensagem, mas eu estava clinicando, e fui uma das que não conseguiu ver a belezura do meu médico na televisão.
Graças a Deus, tenho um carinho muito grande pelos profissionais que cuidam de mim. Só tenho a agradecer por ter recebido tantos anjinhos!
Por isso, precisei procurar o vídeo pra ver, certo?

Vale à pena reservar meia-hora de seu tempo para assistir ao vídeo completo da entrevista com o dr. Buzaid.

Ele explica como estão agindo novos tipos de tratamentos, como os experimentais -- os meus!

Quando se fala de saúde ou doença, uma palavra assusta e chega a dar medo: o câncer. A expectativa está melhorando a cada ano em relação à doença. Novas técnicas estão surgindo e os tratamentos estão muito avançados. Para conversar sobre o assunto, Ana Maria Braga conversou com o médico e especialista no assunto Antônio Carlos Buzaid.

Segundo o Buzaid, a novidade mais recente no combate ao câncer, em geral, é a chamada “Terapia alvo” -- a aplicação de medicamentos que atacam certos receptores ou genes da célula que funcionam como se fossem o gerador dela. A célula depende do gene anormal pra crescer e atuar como câncer. Se cortá-lo, ela eventualmente morre.

A quimioterapia, que é o tratamento mais conhecido no combate ao câncer, ataca bandidos e mocinhos, ou seja, as células tumorais e as células normais. a terapia alvo, embora também cause efeitos colaterais, não afeta tanto o paciente como a quimioterapia, e atinge predominantemente as células tumorais com gene anormal.

No campo da prevenção ao câncer, tem duas novidades:
- Há um ano foi comprovada a eficácia de 90% da vacina contra o vírus do câncer de colo de útero, o HPV. Todas as pessoas que estão na idade pré-sexual, ou seja, 11, 12 14 anos, podem tomar. A vacina ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas sim em clínicas particulares,e cada vez mais serão indicadas pelos médicos à população.
- Tomografia de tórax para detectar câncer inicial em fumantes: há um mês foi comprovado que, quem se submete a esse exame, diminui em 20% o risco de morrer de câncer de pulmão. Provavelmente, daqui a pouco este exame começará a ser realizado em mais pessoas. Hoje, só alguns têm acesso, uma vez que também não está disponível ainda no sistema único de saúde. Esta tomografia com baixa emissão de radiação é para a vigilância de câncer de pulmão.

Dr. Buzaid saindo do Sírio Libanês, terapias-alvo, vacinas contra o HPV antes da primeira relação sexual...
Adolescentes, meninas, mães, pais: bora nessa vacinar nossas lindinhas? Prevenir, né, galera? Prevenir!

"O maior cansaço da oncologia é emocional, não é físico."
(Antônio Carlos Buzaid)
Só essa frase daria um post...

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Nada a declarar

Gente, tô aparecendo aqui só pra dizer que está tudo bem.
Sem mais novidades. A vida tá igual à semana passada. Aliás, agora comecei a tossir, mesmo no meio de um tratamento com antibióticos. Sei não, viu.
Tô trabalhando, tô no meu curso de pós, continuo carequinha e gordinha, tô querendo comprar ingressos pro show do U2 e não consigo!! Assim, minhas coisinhas. :)

O tratamento foi ontem e foi ótimo, dormi muito quando cheguei. É incrível como essa me derruba. Chego e corro pra cama, não tem perigo eu fazer outra coisa.

Um beijo pra todos!

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Sinusite persistente

E a saúde, hein, gente? Como tá?
Minha sinusite-sem-fim continua dando o ar da graça.

Eu sentia que tinha melhorado, não estava com secreção, mas os meus 100% não retornavam. Complicado é ter um grande problema e ser atacada por problemas pequenos, oportunistas. Aí os pequenos persistem numa corrida que não para.
Desde que o câncer surgiu, tenho que dizer que gripei umas 500 vezes. Eu não ficava doente nunca. Aliás, acho que posso modificar a frase: desde que o tratamento surgiu, tenho que dizer que gripei umas 500 vezes.
Infelizmente, apesar de -- não canso de repetir -- eu estar numa forma excelente, o tratamento, por si só, debilita. E não tome cuidado, não, pra você ver.

Esses dias fui atacada por dor de dente e soube, na hora, que a sinusite, antes mesmo de ir embora, tinha voltado a todo vapor. Por isso mesmo, dei uma passada no infectologista. Bati no médico novamente, fiz exames -- bons, por sinal --, e recomecei a batalha de remédios contra a inflamação no meu seio nasal.

Meu pai me acompanhou no exame de sangue. Quer dizer, me deixou no laboratório e foi no hospital encontrar com um médico. Quer dizer, não é qualquer médico. Foi o médico que me atendeu na emergência, naquele mês de agosto de 2008, e quem contou a notícia pra minha família.
Com todo o meu carinho, eu o admiro. Ele não cansou até descobrir o que me fazia enjoar tanto e sentir dor. Fez exame físico, fez ultrassonografia, fez tomografia, me medicou, me deu esperança.
Quando reapareci, papai correu para chamá-lo. Ele perguntou como estava a faculdade, mas eu já me formei. Tô com um ano de formada. O tempo voa.

"Já tem mais de dois anos, dr. Clóvis. Mais de dois anos."
O tempo é tão rápido que não deixa nem pistas. Ludibria sem pena.

Então, dr. Clovis Augusto Portela Martins, meu muito obrigada!!

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Catéter infeccionado... de noooovo

Eu havia contado que febres surgiram na minha primeira medicação com o Temsirolimus.

Febre de ficar batendo o queixo e me contrair toda, daquelas que nos enchem de dor. Como já passei por isso, logo suspeitei que fosse alguma bactéria no catéter.
Naquele dia mesmo, fiz uma hemocultura do port. Para não arriscar, na semana seguinte, fiz a injeção do medicamento por acesso periférico (no braço).
Eu resolvi que não passaria mais por esse transtorno e avisei que, novamente, não faria o tratamento pelo catéter. De toda forma, fui no laboratório buscar o resultado. Assim que abri o envelope, entendi: o catéter tinha infeccionado.
Coitado, acabou de completar 4 meses de vida no dia 5 e vai embora em breve. Durou quase nada.

Ainda fiz as contas, e ele infeccionou entre a minha última quimioterapia de 10 dias (8/10) e o primeiro dia da nova droga (25/10). Não consigo imaginar como isso entra no catéter e começa a se multiplicar lá dentro, viu! De toda forma, sabe que eu nem gostava desse catéter?? Eu queria me livrar dele desde o primeiro dia. O bicho é bem maior que o outro que eu tinha e fica muito exposto; estica a pele do meu colo e a deixa supersensível.

Então, como hoje não deu certo de eu me consultar com o infectologista, marquei pra amanhã à tarde. Vamos conversar e marcar a data da cirurgia de remoção do catéter nº 2.
Não vou colocar o catéter nº 3, pelo menos por enquanto -- espero que nunca mais precise de um, na verdade. Como estou fazendo uso de uma medicação amena, minhas veias não irão ressecar, então vou sem medo, nem me importo.

Vou poder voltar a dormir de bruços, como fazia antes de começar meu tratamento. Será que ainda consigo? Mudei de hábito por forças maiores, mas acho que revertê-lo é má ideia. É, deixa isso pra lá.

Ah, hoje fiz o tratamento novamente, já é a terceira semana, e não tenho sentido efeito algum, graças a Deus.

Beijos!

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CIOSP 2011

Em setembro eu já havia recebido um e-mail de divulgação sobre o CIOSP 2011, que é o chamado Congressão de Odontologia, realizado todo ano em São Paulo.
É um megaevento mesmo, sempre tem de tudo: vai de marcas que melhor representam artigos odontológicos a representantes de consultórios. É de arrasar, todo profissional é apaixonado por ele.

Quem realiza o congresso é a APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-dentistas), e eles estarão comemorando o centenário ano que vem. Acredito que, por isso, resolveram nos presentear: a inscrição está gratuita!

Na hora, mesmo sendo fora da minha cidade, fiz a adesão. Quem é que sabe se eu não estaria lá na época, ou se rolasse uma viagenzinha extra?

Eu sei que lembrei do congresso, porque a data que eu marquei para o próximo exame de acompanhamento coincidiu com as minhas aulas de especialização em Ortodontia, e eu iria perdê-las. Indo ou não para as aulas, eu pagaria a mensalidade. Aí não rolava, né?
Foi então que pensei em mudar a data do exame e, consequentemente, da consulta com o meu médico. Escrevi para a secretária dele sobre essa hipótese e fui conferir o congresso.

Sério, dentistas de plantão: vocês viram a grade científica? A APCD botou pra quebrar!
Tô VIBRANDO com os cursos: Baratieri, Mondelli, Pegoraro, Guedes Pinto... Praticamente os autores que mais estudamos na faculdade, muito sucesso.

Quero ir!!! Quem puder, pelo amor de Deus, não perca... Vai ser o máximo!

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Novo protocolo

Eu havia listado aproximadamente 9 atividades para resolver na segunda-feira. O novo protocolo de tratamento era uma delas.
Levantei crente que ia resolver pelo menos a metade.

Quando cheguei ao hospital, percebi que aqueles "10 minutinhos" dos quais o dr. Buzaid falara iriam ser umas "2 horinhas". De cara. Mas não foi bem assim.

Meu médico também estava doente e não havia chegado ao consultório ainda. Fui me pesar e conversei com a enfermeira, que disse que a medicação ia infusionar durante 1 hora.
Fiquei imaginando: "Uma hora? Não era pra serem 10 minutos?"
Eis que ela responde que lá eles trabalham assim, com esse procedimento. Ok.

Rapaz, quando começou, eu tive que tomar alguns remedinhos antes do tratamento propriamente dito. Um deles era um anti-alérgico muito forte. Nunca tinha tomado.
Pense aí numa pessoa que ficou grogue, grogue. Parecia que tava tudo em slow motion, quando alguém chegava perto, eu tomava o maior susto do Brasil.
Fiquei pensando que devia ser assim que as pessoas se sentiam quando estavam drogadas, sério mesmo. Eu me senti muito doida.

Nesse intervalo, comecei com uns tremeliques e me deu uma febre, e eu não pude inicar o tratamento. Sei que cheguei antes das dez da manhã e só fui terminar, por causa febre, quase 4 e meia da tarde. Pelo menos, a febre baixou e eu pude ter minha primeira não-quimioterapia.
E saí correndo, que tinha uma consulta com um infectologista às 16:30h, exatamente.
Minha "gripe" é uma boa sinusite.

Cheguei em casa mortinha.
Hoje estou bem, vou já trabalhar. :)

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Uma nova luz

Era uma vez uma bolinha perto do baço que começou a querer brilhar, brilhar...

O PET de ontem identificou um novo pontinho de luz, o que significa que tem bandido escapando da prisão.
Pouco, mas isso mostra que a medicação não está mais fazendo o efeito desejado.

Engraçado que ontem mesmo eu estava pensando no estado em que eu me encontrava quando o câncer foi diagnosticado. Uma coisa louca, eu estava tão longe do mundo que nem me tocava de como era sério.
Medo eu não tive e nem tenho, apesar do nervosismo ocasional, mas fiquei perplexa com o primeiro exame que fiz, em Brasília. Era luz em tudo quando era lugar. Metástase pra todo lado... E olha eu hoje aqui!
Quando entrei no HSL, fui recebida com "se o bom de viver é estar vivo, ter amor, ter abrigo"...

Então, da última vez o médico tinha dito que estava sem opções para mim, mas ele deu uma revisada em vários artigos e encontrou outras saídas.
Mais engraçado ainda, porque eu acho difícil de entender o que será meu novo tratamento, mas não se trata de quimioterapia.
Como assim, não é quimio? Não é. Também não sei dizer o que é.

Sei que vou tomar uma droga chamada Temsirolimus.
A Temsirolimus é intravenosa e é usada para tratar de carcinomas de células renais, renais. Recentemente, em agosto deste ano, foi publicado um artigo onde um abençoado com o tumor desmoplásico foi cuidado com ela. Deu resultado. Vou ser um teste, pra variar.

Acabaram-se as duas semanas seguidas de quimioterapia e entrou uma "injeção" endovenosa uma vez por semana. Aparentemente, a aplicação é rápida, somando uns dez minutinhos. Dá pra trabalhar, ir no horário de almoço no hospital e voltar pro trabalho.
Achei o máximo. Não me abalo com essas luzinhas que querem piscar, elas vão-se embora daqui a pouco. Não estou a par de quando, como, onde, mas estou alerta.
E feliz. E viva.

Viva!

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2 anos

29/9/10: completando dois anos de tratamento. Coincidentemente, em uma semana de quimioterapia. Renascer em uma vida só pode.

Meu estado de espírito é de alguém muito feliz e satisfeito. Morro de satisfação! As vezes eu penso que vivo muito melhor que muita gente saudável nesse mundo, que não consegue enxergar a beleza do dia-a-dia, da família, da rotina, do amor.
A psiquiatria explica um monte de coisa, mas entender o porque é um dos mistérios. Pra mim, é o breu.
Então, parabéns pra mim e uma vaia pra médicos que desacreditaram na paciente aqui: vocês não podem prever, quanto mais saber de tudo.

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Viver, viver, viver!

Tô pertinho de completar dois anos de tratamento, e fiquei pensando, pensando.

A primeira vez que retornei a São Paulo, após o diagnóstico e o 1º PET, tive uma melhora de 95%. Isso foi no começo de 2009.
O médico falou: "Esses 5% que restam podem ser bem mais difíceis de desaparecer que os 95%."
Eu acreditei, mas não queria que fosse verdade.
Se desapareceram 95% em 5 ou 6 meses, porque os 5% não iriam ser fichinha?

Com a constante revisão, eu quase chorei quando, ainda no começo, me iludi pensando que ia receber alta. Cedo demais.
Depois dessa, me aquietei. Percebi que as coisas não eram desse jeito. Afinal, não era brincadeira.
Hoje estou mais consciente dos fatos, mas eu me sinto tão bem, que é difícil não acreditar na cura. Realmente difícil.

Me corta o coração ouvir que a doença está estável, ao invés de um "Zerou, vá com Deus", mas não vou me acabar por isso.

Hoje comecei uma nova quimioterapia, quase chegando ao trigésimo ciclo -- de 1, de 5 e de 10 dias.
Que diferença faz?
Eu teimo em ser ótima, e minha rotina se baseia no tratamento, portanto vivo várias restrições... Mesmo assim, acho que tenho o direito de aproveitar meus dias da melhor forma possível. E possível quer dizer não me trancafear em casa, como a maioria dos pacientes faz.
Por que isso???

De que adianta ficar em casa, descansando o que não é preciso descansar? Não é melhor ter uma vida ativa?
Estudar no colégio ou na faculdade, trabalhar, fazer compras, resolver problemas... Some tudo e terá o que tinha antes. Fora eu não poder me planejar em longos prazos, pra daqui a três meses, por exemplo, e ter minha agenda focada na quimioterapia, vou contar: tô dentro!
Tô dentro do cinema, dentro da festa, dentro da praia, dentro da casa dos amigos...

Se você conhece alguém que resolveu restringir a vida social, manda essa criatura me ligar, me dar um sinal de fumaça, fazer uma visita, me escreve um e-mail. Ficar neutro é que não dá!

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D11S26

Oi, gente!! Tudo bem com vocês?
Essa semana de quimioterapia está bem sossegada, fui trabalhar quase todos os dias e ainda saí para me divertir.
Vi amigos mais que queridos, amigos antigos e novos amigos. Foi boa, viu? :)

Eu acabei que nem contei algums detalhes da consulta com o dr. Buzaid. Achei o máximo quando, não sei bem o porquê, mencionei que estava sem comer carne vermelha. Ele me completou: "E não toma mais leite e diminuiu o açúcar?"
Comecei a rir e concordei. Por que ele nunca havia me pedido isso antes? Precisou eu ler um livro, ler outro livro, ler mil coisas na internet... E ele já sabia!
Acho que é para não pressionar o paciente, deixá-lo livre, não é? Só pode.
Sei que achei o máximo mesmo, como se eu estivesse fazendo algo correto para a minha saúde, além do meu tratamento.

Conversamos sobre o trabalho. Falei sobre a infecção do meu catéter, se tinha alguma interferência com os meus atendimentos odontológicos. Já levei carão de um médico, então podia ser que o ambiente clínico realmente alterasse isso, aumentasse minhas chances de infecção.
Bem, ele disse que não, que era besteira. Acho, também, que é pra eu não desistir das minhas coisas... O que é ótimo!

Amanhã a quimioterapia acaba, fico "livre" por minhas duas semaninhas, e aproveitarei bastante!

Beijo a todos.

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Audiência "resolvida"

Levantei na maior coragem e fui, com meu pai, para o 20º Juizado Especial, no centro, para ver o que o esse processo contra o plano de saúde me traria.
A verdade é que eu só movi essa ação contra o plano porque eles me negaram assistência, em outubro do ano passado.

Eis que, após um atraso na audiência, que seria semana passada, hoje as coisas foram resolvidas.

O juiz, um cara bastante conversador, pediu para que nós o relembrassem sobre a ação judicial, e deu o resultado.
Eu havia pedido que eles -- o plano -- liberassem minha quimioterapia sem maiores interrogamentos, para que nunca mais tivessem de ser interrompidas. Isso era a questão central.
Além disso, o juiz disse que eles deveriam ressarcir todo o dinheiro empregado para custear honorários do médico de São Paulo e o PET.

A advogada que estava representando o plano de saúde ficou sem palavras, disse que não cabia na proposta, mas o juiz revidou que tudo era para o meu bem.
Fiquei muito emocionada, porque só eu sei o quanto sofri com essa negação.
Acredito que eles devam recorrer da sentença, mas espero que dê tudo certo pra mim!!

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Nervosa

Eu sempre fui nervosinha, desde que eu me entendo por gente. Não nervosa de brigar, de dar tapa e tudo, mas de não achar certo nada que estivesse errado, e não conseguir ficar tranquila enquanto não resolvesse.
Eu me pego fora de mim, muitas vezes, até encontrar alguém que faça eu me recompor. Quando eu digo fora de mim, é o meu eu estar fora de controle, entre uns gritinhos e choro.

Daí que, não sei o que me aconteceu, mas resolvi dar uma ligada pra São Paulo, pra ver os horários do meu exame e do meu médico e já confirmar.
Essa ideia de ligar estava na minha cabeça há dias, eu quem não tinha parado pra fazer o dever de casa.

Não é que quem me atendeu simplesmente disse que meu PET nãoestava agendado.
Eu marquei o meu exame há praticamente três meses, e não constava lá? Eu nunca tinha marcado uma coisa com tanta antecedência na minha vida, e me dizem que eu "não" tinha marcado?
Sério que eu comecei a tremer. Eu fico indignada quando algo atinge o meu tratamento, independente da forma.

Meu pai apareceu na hora, mandou eu não me estressar, e eu falei até que não me estressaria mais, mas foi impossível.
Eu me acalmei, conversei mais de vinte minutos com a atendente e, no fim das contas, eu já estava arrasada.

É que eu marco o PET no primeiro horário. Tenho que chegar no hospital seis e meia da manhã, mas é melhor, porque demora muito. Mesmo chegando cedo assim, só saio na hora do almoço. Além do que, preciso de seis horas de jejum, pelo menos. A gente só aguenta jejum prolongado quando dorme, né?
Pois bem, mesmo depois do meu chororô, não consegui "reaver" meu horário cedinho. A moça só conseguiu um espaço na agenda porque me encaixou. E chuta aí que horas? Doze e meia da tarde.

Me chateei, vou ter que ir dormir e me levantar às 5 da manhã, encher a barriga de comida e, provavelmente, voltar a dormir, pra não gastar nenhuma energia -- e, consequentemente, não sentir fome. Vou perder o meu dia, minha programação, meu saco vai encher... Enfim, dai-me paciência!!

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De novo, vamos ao pós-operatório

Outro grande sucesso a cirurgia de ontem, para colocar o catéter em mim.
Diferente da primeira cirurgia dessas, quando eu estava bem debilitada (no começo do tratamento) e bem mais magra, o médico não encontrou nenhum problema e a cirurgia foi tão rápida quanto a da retirada.
Dormi a manhã quase toda, porque cheguei ao hospital de madrugada, sabendo que sairia de lá direto para a clínica, para receber a quimioterapia.
E eu tô tão gordinha que o cirurgião colocou um port-a-cath maior dessa vez.

Achei essa história de me deslocar de um lado pro outro um tanto quanto cansativa e desnecessária, mas assim foi.
Tanto é que saí da quimioterapia quase oito horas da noite -- dá pra acreditar? --, foi um suplício sem fim! Só não foi pior porque eu dormi grande parte da tarde, também.

O braço direito ainda não está totalmente recuperado, apesar de os pontos já não estarem mais aqui. Sendo que não dá pra colocar peso, sinto a pele rasgando... Mas o braço esquerdo, recém-operado, não tem condições de fazer esforço algum!
Vou aproveitando essa moleza, né? :)

Fiquei muito feliz com meu pai me olhando e dizendo: "Minha filha, você está melhor do que nunca!"

Beijão!

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Sei não

Ai, eu não quero matar ninguém de susto, mas depois que eu publico o blog nas minhas redes sociais é que lembro que essa notícia -- do câncer -- eu não saí espalhando por aí, e tem gente que desconhece tal história... E é porque vou fazer dois anos de tratamento.
E me vêm à cabeça o que se passa quando alguém descobre... Ah, sério, fique tranquilo!

Eu percebo isso quando encontro conhecidos pelos caminhos dessa minha vida. Às vezes, o ex-namorado de uma amiga que eu tinha há 10 anos e nem mantenho mais contato. Chega em mim e pergunta o que houve.
Eu, na maior sinceridade, respondo tão naturalmente que posso sair de bruta. É que tá tudo em mim já, eu nem me importo.

Enfim...

Cheguei em casa de São Paulo ontem pela madrugada, exausta! Acho que se eu me escorasse na parede, dormia ali mesmo, em pé.
Cedo fui para a quimioterapia, e tive uma boa surpresa: o adeviso que segura o meu porte foi mudado. Além de ter reduzido o tamanho em três vezes, é de outro material mais denso, mais fofinho. Foi um teste para mim, mas espero que ele fique assim, não aguento o outro, ele só me machuca.

Hoje acordei no maior frio, febre batendo. Tomei um remédio superfraco, porque era o único que tinha em casa. Pelo menos, fez a temperatura voltar ao normal.
Durante a quimioterapia tive mais febre, mas logo ela passou. Acabei não indo trabalhar e dormi a tarde toda. Oba!

Ah, e para variar um pouco do assunto de hoje: o que foi mesmo aquela convocação do Dunga, hein?
Gosto de futebol desde pequena. Mas a Copa é a Copa! Eu amo a Copa do Mundo, queria demais que o Brasil vencesse novamente.

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