Quem sou eu

Eu me chamo Lara Ferreira Rocha e tenho 25 anos. Sou dentista, paciente oncológica, e moro em Fortaleza. Tenho muita história pra contar...
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.

Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também!



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Buzaid na TV

Quem gosta de dormir até tarde e quem tá trabalhando porque recesso nem existe, perdeu hoje o programa da Ana Maria Braga, o Mais Você.

Uma amiga me avisou por mensagem, mas eu estava clinicando, e fui uma das que não conseguiu ver a belezura do meu médico na televisão.
Graças a Deus, tenho um carinho muito grande pelos profissionais que cuidam de mim. Só tenho a agradecer por ter recebido tantos anjinhos!
Por isso, precisei procurar o vídeo pra ver, certo?

Vale à pena reservar meia-hora de seu tempo para assistir ao vídeo completo da entrevista com o dr. Buzaid.

Ele explica como estão agindo novos tipos de tratamentos, como os experimentais -- os meus!

Quando se fala de saúde ou doença, uma palavra assusta e chega a dar medo: o câncer. A expectativa está melhorando a cada ano em relação à doença. Novas técnicas estão surgindo e os tratamentos estão muito avançados. Para conversar sobre o assunto, Ana Maria Braga conversou com o médico e especialista no assunto Antônio Carlos Buzaid.

Segundo o Buzaid, a novidade mais recente no combate ao câncer, em geral, é a chamada “Terapia alvo” -- a aplicação de medicamentos que atacam certos receptores ou genes da célula que funcionam como se fossem o gerador dela. A célula depende do gene anormal pra crescer e atuar como câncer. Se cortá-lo, ela eventualmente morre.

A quimioterapia, que é o tratamento mais conhecido no combate ao câncer, ataca bandidos e mocinhos, ou seja, as células tumorais e as células normais. a terapia alvo, embora também cause efeitos colaterais, não afeta tanto o paciente como a quimioterapia, e atinge predominantemente as células tumorais com gene anormal.

No campo da prevenção ao câncer, tem duas novidades:
- Há um ano foi comprovada a eficácia de 90% da vacina contra o vírus do câncer de colo de útero, o HPV. Todas as pessoas que estão na idade pré-sexual, ou seja, 11, 12 14 anos, podem tomar. A vacina ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas sim em clínicas particulares,e cada vez mais serão indicadas pelos médicos à população.
- Tomografia de tórax para detectar câncer inicial em fumantes: há um mês foi comprovado que, quem se submete a esse exame, diminui em 20% o risco de morrer de câncer de pulmão. Provavelmente, daqui a pouco este exame começará a ser realizado em mais pessoas. Hoje, só alguns têm acesso, uma vez que também não está disponível ainda no sistema único de saúde. Esta tomografia com baixa emissão de radiação é para a vigilância de câncer de pulmão.

Dr. Buzaid saindo do Sírio Libanês, terapias-alvo, vacinas contra o HPV antes da primeira relação sexual...
Adolescentes, meninas, mães, pais: bora nessa vacinar nossas lindinhas? Prevenir, né, galera? Prevenir!

"O maior cansaço da oncologia é emocional, não é físico."
(Antônio Carlos Buzaid)
Só essa frase daria um post...

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Doação de medula óssea

Ontem foi o assunto do dia: doação de medula óssea.
Eu nem tinha percebido nada, estava ocupada, mas tudo girava sobre isso.
Hoje pela manhã, na quimioterapia, estava assistindo ao programa Mais Você e eles entraram nessa questão.

Engraçado como a Ana Maria Braga relata esse cansaço inicial, eu nem lembrava disso. Mas eu dormia, gente, eu dormia tanto, que eu mal saía da cama. Minhas forças, oh, se esvaíam na maior facilidade.
Achava que era da dor na perna, mas que nada!

Um dia, conversando com uma paciente oncológica lá no Sírio Libanês, eu me toquei de como as histórias se repetem, a demora nos diagnósticos, sintomas parecidos, e o despreparo de alguns profissionais ao lidar com a doença. É complicado...

Então, voltando ao assunto, o programa entrou fundo no assunto leucemia, que realmente está ligado à doação de medula óssea.
O Mais Você recebeu a gaúcha Mariana Eidt, de 27 anos (achei que ela tivesse a minha idade!), que se submeteu a tratamento durante o ano passado, mas a leucemia voltou, e ela precisa de um doador urgentemente.

Quem quiser e tiver vontade de ser um doador, é fácil: você precisa ter entre 18 e 58 anos de idade e ir ao hemocentro de sua cidade, onde preencherá um formulário com dados pessoais e terá uma amostra de sangue coletada para testes. Você pode se cadastrar no REDOME até os 56 anos de idade, mas poderá doar até os 60 anos.
Estes testes sanguíneos determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.

Todo paciente que se dispõe a ser um doador de medula óssea é cadastrado no REDOME, como é mais conhecido o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea.
O REDOME não é restrito ao âmbito estadual, muito menos ao federal. Com a entrevista da Ana Maria Braga, descobri que o Brasil é um dos países que tem mais usuários cadastrados. Além disso, os dados podem ser acessados por instituições de outros países, o que facilita ainda mais encontrar o seu "par perfeito".

Às vezes, os familiares não são compatíveis, então o que resta é apelar mesmo para essa ajuda.
Os dados pessoais e os resultados dos testes do doador são armazenados em um sistema informatizado -- e não são divulgados para terceiros --, onde se realiza um cruzamento com os dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.
Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares, daí, tudo dando certo, ele poderá realizar a doação.

O problema é que nem todas as pessoas são inscritas no REDOME, então o controle não é livre de obstáculos. E, falando a verdade, a chance de encontrar uma medula compatível é, na média, de 1 a 100 mil.
Por isso, eis aqui a probabilidade mais que óbvia: quanto mais pessoas no REDOME, existirão mais pessoas dispostas a se solidarizar, e mais rapidamente um doador poderá ser contactado.

Eu já me propus a doar a minha medula, fui ao HEMOCE e fiz todos os procedimentos necessários, mas acho que não posso mais fazer essa caridade, infelizmente.
(Acabei de verificar e realmente não posso.)

Você, que tem a saúde de ferro, por que não perde umas horinhas dos seu dia e passa lá? Não demora quase nada, e você pode dar continuidade à uma vida!

Informações extras aqui e aqui.

Beijo grande!

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Direitos do paciente com câncer

No começo deste ano, eu perguntei, aqui no blog, sobre direitos dos pacientes com câncer.
Eu havia pesquisado, mas tinha achado as informações um pouco confusas. Essa semana, a Ana Maria Braga mostrou, pro mundo, o que é possível se fazer quando se enfrenta algum problema de saúde. E não precisa ser só câncer não, viu?

Aqui vai, na íntegra.

Uma notícia dura, difícil de receber. O diagnóstico do câncer assusta qualquer pessoa e enfrentar o tratamento exige muita coragem e determinação. Nessa hora, quase ninguém se lembra de correr atrás dos direitos a que pacientes especiais têm. A maioria dos brasileiros que têm câncer não sabe, mas o simples diagnóstico da doença garante a eles direitos especiais.

Alguns hospitais em São Paulo, como o Hospital do Câncer, criaram cartilhas para orientar os pacientes. Elas estão disponíveis a todos - pacientes ou não - na internet.

Se você também não sabe que direitos são esses, preste atenção:
É lei: todo paciente de câncer, independente do tipo e da gravidade, pode sacar o Fundo de Garantia por tempo de serviço, o FGTS; assim como o PIS/PASEP.

Se uma criança tem câncer, mas os pais trabalhem, eles podem sacar o FGTS. A solicitação deve ser feita em uma agência da Caixa Econômica Federal. É preciso apresentar os documentos pessoais originais e o exame anatomopatológico, que diagnostica o câncer. O exame anatomopatológico é um documento essencial para qualquer tipo de benefício. Ele normalmente está no prontuário médico do paciente ou no laboratório onde foi feito o exame.

O paciente também tem direito a licença médica e a receber o auxílio-doença. Outro direito é a isenção de imposto de renda. Esses benefícios devem ser solicitados ao INSS. Os doentes também podem exigir mais rapidez da Justiça em qualquer processo. Para isso, basta fazer um requerimento diretamente ao juiz responsável pela Vara onde está o caso.

Para aqueles que ficaram com alguma sequela por causa da doença ou do tratamento, existem outros benefícios.
Pacientes que têm, por exemplo, um imóvel financiado - nesses casos dependendo do contrato e onde haja seguro - é possível que haja a quitação. Isso acontece em caso de invalidez. O doente que tem financiamento imobiliário pelo Sistema Financeiro da Habitação e paga o seguro por invalidez ou morte, junto com as prestações, pode solicitar a quitação total da dívida.

Para isso, é preciso contatar o banco, o agente financeiro, ou a seguradora responsável.
Quem tiver renda inferior a um salário mínimo também pode solicitar o transporte público gratuito. O transporte pode ser municipal, estadual ou interestadual, dependendo da necessidade de locomoção para o tratamento. A Justiça tem assegurado o direito dos pacientes viajarem de ônibus, barco, ou até mesmo de avião.

Caso o doente esteja debilitado a ponto de não conseguir se locomover sozinho, o direito é parcialmente estendido a um acompanhante - que no caso do transporte aéreo paga apenas 20% do valor da passagem. Existe ainda outro benefício importante que pode ajudar na mobilidade de quem ficou com alguma sequela. Existem alguns casos do câncer de mama, em que no tratamento se retira músculos, gânglios que podem causar alguma limitação de membros superiores.

Nesses casos, a pessoa tem direito a comprar um carro adaptado e isso vale para todos que ficarem com os movimentos das pernas, ou braços comprometidos. A legislação fala em veículos adaptados. Entenda-se por veículo adaptado o carro que precisa ter uma adaptação específica para atender a necessidade da pessoa, ou um veículo automático e/ou com direção hidráulica.

O carro adaptado é isento de:
- IPI, o imposto sobre produtos industrializados
- IOF, o imposto sobre operação financeira
- ICMS, o imposto sobre circulação de mercadorias e serviços.
Ao todo o desconto gira em torno dos 20% sobre o valor de mercado do carro.

Além das vantagens na compra, o paciente também não paga IPVA. E, se morar em São Paulo, pode ficar fora do rodízio de veículos.


Sabe o que é mais interessante? Há uma cartilha que ensina como proceder, e ela foi desenvolvida pelo Institudo Brasileiro de Controle do Câncer.
A cartilha está aqui.

Espero que ajude! :)

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