Quem sou eu

Eu me chamo Lara Ferreira Rocha e tenho 25 anos. Sou dentista, paciente oncológica, e moro em Fortaleza. Tenho muita história pra contar...
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.

Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também!



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Presentinho

Hoje mais cedo eu fiz um pequeno apelo no Twitter (aqui e aqui) e vou explicar o porquê.

Bem, quase ninguém tem conhecimento, mas eu mal estou andando com dores nas pernas. Não é só em uma, é nas duas mesmo. Isso tem me maltratado um bocado, porque tirou minha agilidade, tenho andado superdevagar e parecendo uma pata, com as pernas abertas.
Tenho feito alguns exercícios em casa e tomado remédios para cuidar dessa peculiaridade, mas acredito que ela só vá cessar com o passar da quimioterapia, que sequer foi realizada. Tudo a seu tempo, né?

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Os efeitos da Tems

Quem dá uma olhada no Twitter do blog já sabe que eu comecei o ano com uma infecção urinária, né?
Me deu uma baita cólica, a vontade de urinar gigantesca, e depois dores ao fazer xixi. Lá fui eu correr pra ligar pro meu médico e saber como proceder.
Ainda nessa época, fiz exames de sangue e urina, comecei um tratamento com antibióticos e, poucos dias depois, estava boa.

Anterior e concomitantemente à essa infecção urinária, comecei a sentir um prurido em todo o meu corpo. Entenda-se: coceira.
Sério, sem limites: pés, cabeça, pescoço, pernas etc. Não dei lá a importância necessária. Apesar do desconforto, a dor ganhava do comichão.

Nesse meio tempo, comecei a suspeitar que era culpa da pele seca, efeito adverso da medicação que eu estou tomando. Minha pele realmente estava ficando ressecada e esbranquiçada, além de eu ter reduzido o consumo de água.
Pronto, resolvi: "Vou tomar água e passar hidratante o dia todo!"
Não adiantou.

Pensei, então, que fosse alergia à algo que eu estava usando, sei lá, mas o anti-alérgico não deu fim.
E o fígado, estava bom? Parecia que sim.

Ok, passaram-se três semanas, e eu nada de comentar com o meu médico -- coisa doida, levei o maior carão.
Domingo eu não aguentei mais e liguei pra ele, pedi que me atendesse na segunda-feira, antes de começar meu tratamento.

Fiz exames e mais exames, chega me assustei. Ele mesmo não encontrou indícios de alergia em minha pele, pelo menos não externamente.
A ultrassonografia não mostrou novidades, mesmo com o maior enfoque no fígado.
Fiz hemograma, glicose, colesterol, triglicerídeos... Me espantei com todos, excluindo-se o hemograma. O hemograma estava bom.

Certo que eu não tenho como comparar colesterol e afins, porque taí uns exames que eu nunca faço, mas a minha glicose, que dá baixinha mesmo sem eu fazer jejum, deu 146mg/dL!
Quase caio pra trás, mas sem alarde, óbvio. E dá-lhe a ligar pro médico, pra pedir uma explicação.

Sabe o que eu descobri?
Provavelmente estou com alergia ao tratamento, à Temsirolimus.
Alergia que vem de dentro, que esconde a irritação... e que, por acaso, não tem cessado com anti-histamínicos.
Estou com glicose, triglicerídeos e colesterol altamente alterados, mas é coisa do Tems também.

Só acontece comigo mesmo... hahaha

Semana que vem tem o PET em São Paulo e suas chuvas torrenciais!

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Feliz 2011

300ª postagem, e a primeira de 2011! (Quase digito 2010, porque foi o que pensei. Por que a gente demora a perceber que é um novo ano?)

Preciso explicitar aqui o meu agradecimento a vocês todos, que acompanham ou não o blog, que acompanham ou não o Twitter, anônimos ou não, mas que me acompanham em suas vidas, seja por pensamento, por oração, por convivência...
Todos os dias, eu repito bastante por aqui, percebo o quanto eu sou diferente. Não diferente de ninguém, porque eu não enxergo isso: são os de fora que me vêem assim. Mas quando eu falo diferente, quero dizer que eu percebo o quanto as pessoas me tratam melhor, me querem bem.
Não sei dizer se é por causa da doença ou simpatia mesmo, mas eu sou bem tratada. Às vezes, por mau costume, até estranho quando isso não acontece.

De toda forma, gosto de ser tratada de igual para igual. Não sou nada de mais ou de menos por ter o meu diagnóstico. Sei que a preocupação comigo supera, mas eu me considero a super-mulher -- que erro!

Outra coisa que eu percebo, é que muita gente vem falar comigo e já me ama. Achei interessante, na festa de Natal da minha família, uma senhora, mãe do marido de uma tia, dizer que era minha fã. Ela nunca havia me visto, gostava de mim de ouvir falar.
Achei a maior fofura, e isso é lindo. É bom você amar as pessoas.

Já mais perto do fim do ano, quando estava comprando uma roupa nova para vestir na virada, a caixa me perguntou: "Você já deu uma entrevista na TV, né? Eu lembro de ti."
Obviamente, eu fingi estar encabulada, pra não me dar uma de estrela, até porque não tem nada a ver, mas foi natural. Só me espantei por um fato: a última entrevista que dei tem bem um ano e meio!

Assim, vim aqui para celebrar esse reconhecimento -- não devido --, porque eu até falei praquela senhorinha que mencionei aqui em cima: "Eu acho que a senhora escutou coisas demais sobre mim que não são verdadeiras."

Talvez, por ficarem lendo o que escrevo, vocês imaginam uma criatura tão boa, tão singela, tão dócil... NADA!
Não sou nada disso, gente. Sou mais que ordinária. Meu desejo é o de ser alguém bom, mas sou só eu.
Sou forte, como diz minha mãe, mas sou forte no limite. Pra mim, todo mundo pode ser forte assim. Na minha cabeça, não me destaco por isso.
Tenho orgulho do meu ofício, não sou humilde o suficiente. Sou teimosa e odeio ser contrariada.
Duelo comigo mesma.

Tenho mais a aprender do que vocês imaginam.

Por isso, que em 2011 a gente consiga trabalhar menos e se divertir mais, sair menos e curtir mais a família, dormir cedo e dormir muito, não se iludir e viver a realidade, cuidar da saúde e usufrui-la ao máximo!

Beijos, beijos!

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Polo Dr. Bezerra de Menezes

Todo mundo que conhece a vida de Bezerra de Menezes sabe como ele foi uma pessoa bondosa e querida, adorava ajudar, vivia para isso.
Nasceu em Jaguaretama, interior do Ceará. Da casa dos pais, saiu para o mundo.

Mais velho, acolheu o Espiritismo, e o Espiritismo o acolheu.
Na sua terra natal, foi criado um polo que recebeu seu nome. Na verdade, o polo cresceu no sítio onde Bezerra foi criado: tem escola, tem casa, assentamentos, centro espírita, o que imaginar. Tudo para o bem do próximo.

Mamãe queria me trazer aqui há um bom tempo, e sempre acontecia algo para me impedir. Mesmo agora, doentinha, ela mesma ainda pensou em não me trazer, para eu não correr o perigo de piorar, mas nem adiantou.
Saímos de Fortaleza no início da manhã e chegamos há pouco.
Não sou fã de cidades interioranas, sou totalmente metropolitana, mas também não morro por estar aqui. Acho ruim é a falta de comunicação.

Aqui quase não pega sinal de celular e não tem telefone fixo, mas descobri uma sala cheia de computadores e acesso à internet. Achei bárbaro.
Pronto, não estou incomunicável. Posso tuitar, posso ver meus e-mails, posso conversar. Fechou.

Bem, e essa viagem aconteceu por que mesmo? Aqui é uma cidadezinha minúscula. O sítio, se hoje já é escondidíssimo e de difícil acesso, imagine o local há mais de cem anos, como não era!
O povo é pobre, mas ainda arranja tempo e tem iniciativa pra realizar atividades para o desenvolvimento dos nativos. Tudo bem que muita gente da capital, como nós e como o criador do polo, mas é a união quem faz a força.

À noite vai ter uma festinha de Natal para o pessoal que aqui mora, com música, encenação de teatro, comida... Vi um vídeo antigo, e as pessoas se locomovem pra cá de qualquer maneira, eles vêm até dos municípios vizinhos.
Acho que vai ser divertido.

Tentarei bater fotos e ou gravar vídeos para postar.

Beijo!

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Cadê, hein?

Gente, tô um pouco envergonhada com o "abandono" do blog, mas ultimamente tá sendo meio complicado acessar a internet pelo notebook, porque o tempo que eu tenho pra descansar, eu tô descansando -- lê-se dormindo.
O acesso à internet tá se restringindo ao celular, e olhe lá. Aí não dá pa escrever meus textinhos, né? Acabo desabafando só no Twitter e no Facebook, onde all my life está exposta.

Prometo escrever em breve.

Beijos, beijos!

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Muito bem

Ô demora pra eu dar notícias, hein?
Eu acabo falando quase tudo no Twitter e aqui eu demoro a reunir as ideias.

De pronto, percebi que a mobilidade do meu braço esquerdo estava enorme em comparação com as outras duas últimas cirurgias que envolviam catéteres. O curativo estava pequeno e eu não sentia a pele repuxar. Ponto positivíssimo.

A cicatriz está bem sequinha, sem secreções, e eu tô conseguindo mover o meu braço quase que totalmente. Tá ótimo. Agora, como sempre, é vestindo um sutiã 24 horas por dias, 7 dias por semana. Não dá pra tirar, pois a região do corte é imediatamente acima do seio, e qualquer movimento extra dá razão à gravidade.
Comecei até a tomar banho de biquíni, achei mais esperto de minha parte. Num foi uma boa?

De mais, só as superpontadas favorecidas pelo processo de cicatrização, mas hei de entender que é um sinal de recuperação celular, né?
Parece que elas vêm lá de dentro, como se puxassem a pele machucada cada vez mais para dentro do corpo. Não dá pra explicar pra quem nunca sentiu...
Mesmo assim, estou sentindo pouco, se eu for comparar com as minhas lembranças.

Estou me sentindo muito bem, tanto é que meu feriado não foi atrapalhado pela cirurgia. Saí de casa, me diverti com os amigos, brinquei, namorei, fui ao cinema, tudo uma beleza.

Graças a Deus, tenho sido muito abençoada.

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Carpinejar


O cético tenta explicar tantas coisas, e eu falo por mim, agora: acho muito mais vida em quem crê em Cristo, que tem uma alegria tão grande dentro de si, e não tem vergonha de dizer o que pensa.
Eu me sinto assim.

Nada contra quem pensa o contrário, todos temos o livre-arbítrio, a decisão de escolher no que queremos acreditar.
O que eu sei é que não preciso ver, só sentir.

Boa noite!!

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Ídolos?

Esses dias eu li, aqui pela internet, que "o tempo é o melhor remédio contra ídolos."
Bem, eu achei uma afimarção corretíssima. Pra mim, isso não existe mais.
Ídolos, quem sois?

Quando somos mais jovens, viramos fãs de tudo o que aparece pela frente: aquela bandinha pop, um cantor bonito, o ator da novela das dez.
Há controvérsias, mas a gente demora mesmo a amadurecer.

No fim das contas, eu percebi que o ídolo distante, aquele que a gente idolatra de longe e nunca vai conhecer, não merece nosso afoito amor. Uma admiração nunca é demais, mas o amor, de virar fã mesmo, é para quem vive por nós.
Nossos pais, irmãos, amigos queridos. Até quem não tem muito convívio conosco, um dia mostra a sua importância.

Percebemos, com o passar dos anos, que algumas pessoas nunca ficam para trás em nossas vidas. Elas, mesmo distantes, interferem de algum modo. São lembradas; são exaltadas; são capazes de nos fazer abrir sorrisos e dar risadas, sem nem mesmo estarem ali, em nossa presença.

Esses sim são ídolos. Ídolos são os de casa.

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Mais alguém?

Esse diagnóstico tão chocante mexe com a cabeça de qualquer um, mas cabe a nós respondermos de maneira adequada.
Quando eu digo adequada, essa palavra assume outros tantos significados: alegre, decidida, humilde, submissa à vontade de Deus, confiante, otimista...

Eu falo que tudo que acontece me toca, e não exagero. Não consigo ver uma carequinha sem me emocionar, todo mundo já sabe. Mas fico mais agradecida ainda se encontro alguém como Elis Rejane, que consegue, também, ver tudo de bom que pode acontecer.
Disponibilizo, aqui, slides criados por ela, passando uma linda mensagem de superação, de auto-conhecimento: Aprendiz.

Falo de mim, mas acho que todos -- que passam pelo que estamos passando -- criamos esse desejo de disseminar o amor, sabia?

Evangelho: "E todos vós que podeis produzir, dai; dai o vosso gênio, dai a vossa inspiração, dai o vosso coração, que Deus abençoará."

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Ué!

Terça-feira eu vou ter uma prova, mas jura que eu consigo me concentrar e sentar para estudar o tempo necessário!
Rapaz, eu só penso em São Paulo, nas coisas a fazer por lá, onde ir, o que ver, o que comprar, em não ter grana, em passear um pouco à pé, em realmente descansar, na euforia que antecede o PET-scan, no desejo incontrolável de ouvir boas palavras do médico e na certeza de uma melhora em geral.
Tem melhor??

Sei que é tanta ansiedade agora, imagine nos instantes antes do voo! Já consigo me visualizar nervosinha, mas tudo muito bem controlado.
Já arrumei a mala e tive estímulo até para personalizá-la com um grande laço e um cartão de identificação.

Graças a Deus, para variar, tenho recebido bastantes palavras de apoio. É lindo esse amor!

Obs.: Como as minhas notícias não têm rendido tanto, tenho atualizado mais o Twitter, mas vou tentar escrever mais durante a estada na animada metrópole paulistana.

Beijos!

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Se você pensa que pode, você pode!

Eu vi, no Twitter, uma mensagem que me fez pensar um bocado, mas que retorna a algo que eu falo sempre: pensar positivo, pensar que tudo vai dar certo, pensar no bem!


Claro, são suas atitudes que mudam sua vida. Elas têm um poder imenso.
Hoje alguém veio falar comigo sobre conhecer outra pessoa com câncer. Sabe o que eu falei? Que essa doença não é tão ruim assim, é só saber aceitá-la, conviver (por pouco tempo, se possível) com ela, ser feliz.
Na verdade, doença é um estado de espírito. Você, simplesmente, não pode achar que está doente. Se pensar, vai estar.

Se você acha que pode ficar bem, melhorar, você vai. Agora se você acha que é difícil, não tem jeito, não há saída, então todas as portas ficarão completamente fechadas.
Eu acho que estou curada, e estou, assim eu me sinto.

Eu sorrio o dia todo, todos os dias.
Vamos rir juntos, gente!

Não que tenha a ver comigo neste momento, mas tem uma ligação com minha situação, e acabei lembrando desse texto quando vim escrever. É só ler nas entrelinhas, não precisa eu detalhar o significado, né? Eu tinha ele anotado num caderno antigo, e copio aqui:


Marcelo Fromer - O último poema

Agora vou com mais calma
Com os olhos virados para dentro
Para vigiar meus pensamentos
E para ler a minha alma
Agora enxugo as lágrimas
Destes últimos dias
Agora abro a porta
Para que entre a alegria

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Definitivamente modinha...

Só porque achei o máximo esses quadrinhos!


Coincidência ou não, desde o começo coloquei a expressão "sigam-me os bons!" pra ir direto ao meu Twitter.

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Twittando

Com um perfil no Twitter agora.
Será que tem futuro?

Tem uma conta do blog também, é o @NoticiasdaLara.

De qualquer forma, adoro essas modernidades que aparecem na internet. Já que é pra falar mesmo, vamos falar tudo, né?

Dá pra acompanhar, pelo blog, os últimos twitters publicados.

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