Quem sou eu

Eu me chamo Lara Ferreira Rocha e tenho 25 anos. Sou dentista, paciente oncológica, e moro em Fortaleza. Tenho muita história pra contar...
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.

Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também!



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Lara

Cinco dias após escrever o último post no blog, a Lara deixou esse mundo para cuidar de todos nós lá de cima. 
Depois de quase três anos de luta contra a doença, seu corpo não aguentou. 
As contas de todas as redes sociais foram deletadas, mas é impossível desvencilhar seu propósito de vida (tanta vida) ao "Notícias da Lara". Aqui, ela contava seu dia-a-dia (mesmo quando estava tão cansada) e compartilhava seus momentos e vitórias com os familiares, amigos e desconhecidos.
Ela é a maior guerreira e maior VENCEDORA que já vi por aí e agradeço muito a Deus por termos dividido o mesmo útero, o mesmo berço, escolas, turmas, ideias, abraços, beijos, festas, discussões, 25 anos de vida.
A Lara não só vive no meu coração, como no de todos que a viram sempre com um grande sorriso no rosto.

O dia 27 de junho de 2011 marcou a nossa família, mas nada maior do que o amor que sentimos por ela.

Espero que você, leitor antigo ou novato, sinta-se à vontade aqui. Espero, também, que o exemplo dela conforte-o, assim como nos fortifica todas as manhãs.

Lana Rocha

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Melhorando e gostando

Hum, como estão todos? Eu estou ficando cada vez melhor. As notícias estão cada vez mais esparsas, mas está tudo tranquilo.
Ainda não estou correndo, fazendo arte, de jeito algum!

Quinta-feira, após análises minha e de meus exames de sangue, ficou decidido que eu estava em condições de receber a droga da quimioterapia, e assim foi feito.
Sexta, recebi a visita de um dos meus médicos, que fez mais exames básicos -- aqui em casa mesmo, né? --, e reafirmou que estava vendo outra pessoa naquele instante.
Eu sei é que há alguns dias eu vinha prestando atenção na barriga. Achava que ela não estava mais amolecendo, como é para ser: estava durinha e estava aumentando de tamanho, não diminuindo. Isso não era possível!
Depois de me olhar novamente, ele concordou e marcou uma para-sentese (retirada de líquidos).

Sábado fui ao médico e tive que andar todo o percurso, que incluía uma pequena escada e longo corredor. Sentei na poltrona e parecia que eu tinha andado quilômetros. A volta foi igualmente dolorosa, isso me tirou forças, mas logo as esqueci.

Domingo curti um chochilo delicioso, o que, infelizmente, fez com que eu não curtisse tanto o meu amor maravilhoso no dia dos namorados.

Ontem e hoje eu pude perceber uma grande diferença no meu estado físico, me achei mais disposta.

Beijos!

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Família linda

Minha família é a coisa mais linda do mundo. Não existe igual, e eu não poderia pedir outra melhor, juro por Deus. Sou mais do que agradecida.

Só vendo pra crer como eu também sou amada, porque tenho recebido todo o carinho e atenção possíveis. Inimaginável.

Não consigo enxergar em todos os lares tanta paixão e harmonia! É amor demais pro meu coraçãozinho!
Fico derretida... Deu pra ver, né?
Eu já dava valor à minha família há muito tempo, não é de agora, mas tem horas que não dá pra deixar de falar.
Meus dias estão sofridos. Olhe, pra eu falar issooo... Mas, aqui em casa, eu sou o centro das atenções. Todos os olhares estão sobre mim. Não fico sozinha ou desamparada em momento algum.

Sei que tem casas por aí que não teriam condições de me dar tanto apoio. Não por falta de querer, mas talvez por medo, por desespero, ou por opção mesmo.
Sorte que eu tenho várias irmãs. Se não tivesse, já seria diferente. Minha mãe sempre está disponível, deixa de realizar suas coisas para ficar ao meu lado. Meu pai faz de tudo para que nada me falte. Até quem eu pensei que não iria me ajudar, está feliz em fazê-lo.

Não é mesmo a coisa mais linda que Deus poderia me dar?

♥ ♥ ♥

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Recuperação

Gente, desculpem pela demora, mas eu passei quase um mês internada. Tive problemas com os níveis de albumina, minha barriga inchou, e ainda estou me recuperando.

Estou bem melhor do que estava antes.

Beijos

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Notícias

Então, gente, como vocês estão?
A recuperação é demorada, mas meus médicos, analisando os meus últimos exames, afirmaram que eu estou boa, posso voltar às atividades normais.
A anemia persistiu e eu estou tomando ferro, para que os níveis melhorem.

Eu estou me sentindo muito melhor mesmo, sem comparação. Continuo sem conseguir comer, ô negocinho chato!
A nutricionista explicou umasc oisas pra mim, e aqui vai o que eu entendi: a pessoa não se alimenta direito e acaba emagrecendo muito rápido, certo? O corpo não pega energia da gordura, que seria o mais legal pra nós. Ele pega das proteínas que você tem armazenadas.

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Natal e Guará

E a comemoração do nascimento de Jesus, como foi?
O meu foi bom, fiquei uma parte das horas com a família e voltei cedo para casa. Passamos a meia-noite orando.
Primeira vez que isso acontece.

Mesmo assim, fui deitar supertarde -- ao nascer do sol, com todo o cansaço acumulado.
Os irmãos ficaram na sala conversando, vendo programas na televisão, e eu suplicando para irmos deitar.

No fim, eu me retirei para o meu quarto antes deles. Estava para não aguentar.
Aí recebi um aviso de que iríamos para Guaramiranga. Uma tia alugou uma casa, e pronto.
Viagem de última hora!!

Já cheguei aqui. O GPS nos colocou na maior cilada!
Ele mostrou o percurso mais curto, e nos mandou para uma antiga estrada totalmente esburacada e sem sinalização.
Minha vozinha, que tem Alzheimer, já estava ficando doidinha com o caminho sem fim.

Só não escrevo mais porque estou digitando tudo pelo celular.

Os adolescentes odiaram a divisão dos quartos e estão fazendo confusão até agora.
Vou ali curtir o friozinho.

Beijo grande e um feliz Natal a todos!!

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Perdoe-me, perdão

Há exatamente quatro anos, seis meses e 20 dias, perdi minha avó por parte de pai.
Muito lúcida e jovem, foi vítima de problemas cardíacos.

Eu tinha duas avós e um avô. Avô postiço, era padastro de meu pai.
Era meu avô, porque nasci e ele já existia em minha vida. Casou com a mãe de meu pai antes mesmo de minha mamãe pensar em engravidar de mim.

Infelizmente, perdi esse meu avô junto com a minha avó. O ano foi de uma tristeza muito grande.
Ele saiu de nossas vidas sem deixar rastros.

Vovó faleceu no fim de maio daquele de2006. Lembro que era época da Copa do Mundo. Estava viajando de carro e conversando sobre os últimos acontecimentos, dizendo como não entendia que o "meu" avô estava fazendo aquilo.
Bem, não cabe aqui falar tudo, pois estou detalhando vivências, acontecimentos sérios. Tenho um motivo, você vai perceber mais tarde.

Essa conversa toda é por casa dele, o avô.
Nós continuamos a frequentar a sua casa, claro, porque ele era da família.
Era um senhor gordo, de pele clara, cabelos brancos e jeito sereno. Era querido, eu o queria bem.
Em 2006, ainda, casou com outra mulher e cortou laços conosco -- comigo, meus pais, minhas irmãs. Qual o motivo? Não sei. Nunca tive explicações.
Sei que fui expulsa de sua casa -- não só eu --, mas aquilo me doeu bastante. Me doeu na alma, se é que se pode doer assim.
Por que, afinal, alguém faria isso?
Continuo sem saber.

Em 2006, perdi uma avó e um avô.
Sonhei demais em poder falar com ele novamente, meu amor era grande. Minha raiva passou, não tinha porque querê-lo mal. Às vezes eu pensava que ele era prisioneiro, que era obrigado a nos renegar. (Mas a gente só faz as coisas se quiser, não é verdade? Se a ideia é de outro, mas a concebemos, é porque, de algum modo, ela nos é certa.)

Há uma semana, deram-me a notícia de que ele estava internado, doente. Horas mais tarde, ele faleceu.
Estava melancólica. Saber daquilo me deixou com um sentimento de pena maior do que o da saudade.
Sim, eu sentia saudade, mas minha dó era porque não pudemos nos reconciliar, e agora era tarde. Eu esperava que ele me pedisse desculpas.
Senti, dentro de mim, a necessidade de vê-lo no velório, e briguei por isso. Fiquei triste, me emocionei. Era meu avô alí no caixão, e nós não nos falávamos há mais de quatro anos!

Nunca consegui entender esse afastamento, essa insensibilidade, por um simples motivo: eu não sou assim.

Hoje, na missa de sétimo dia, pedi perdão. Não foi ele quem se desculpou.
Nunca vi uma missa de sétimo dia tão sem emoção. Não somente por mim, mas por todos ali presentes, todos que minha vista conseguia enxergar.
Lia os versos do missal, as homenagens escritas, os textos ressaltando como aquele homem era bom, generoso, caridoso, solidário, amoroso.
Na minha cabeça, ia negando, como se balançasse a cabeça de um lado pro outro, como que fazendo um NÃO.
Não vivi com esse homem tão majestoso. Pelo menos, não o tempo todo.

Aí eu percebi que achava que o tinha perdoado. Achava, porque, àquele momento, só consegui ressaltar como ele me maltratou e nos maltratou.
Reclamei, em casa, do orgulho de alguns, mas não me via dessa maneira.
Tô vendo como o perdão é difícil. Quero lembrar dele como essa pessoa boa, generosa, caridosa, solidária, amorosa, e não como alguém que fingia que eu não existia e me reconhecia sem carinho.

Sei que ele perguntava por mim, às escondidas, mas renegar a família é de uma frieza enorme.
Mesmo assim, eu pensava tê-lo perdoado.

Dizem que quando se entra pela primeira vez numa igreja, pode-se fazer um pedido, não é?
Eis o meu: quero esquecer as ofensas, quero amá-lo verdadeiramente, quero colocar um véu sobre o passado.

Fico aqui imaginando como muitas famílias se perdem por discussões bobas, dinheiro, divisão de bens. Não tenho em mim essa desunião.
Pelo amor de Deus, não leve isso adiante. Sentir isso é ruim, meu povo. Não queria, não.

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Ajudei?

Não sei porque algumas pessoas querem minha ajuda, meus conselhos, não sei. Talvez por acharem que eu sou muito feliz, muito animada, também não sei. Talvez por eu lidar bem com a minha situação e a minha vida, indecisão...
Mas eu tenho problemas, todos temos. Ninguém é perfeito assim, e mesmo o único ser perfeito que passou por aqui tinha lá seus perseguidores.

Há um ano, eu publiquei aqui no blog um post falando sobre psicologia. No fundo, mesmo "não tendo" conflitos na sua cabeça, um bom ouvinte basta.

Na verdade, sabe o que eu acho? A gente sempre procura alguém quando não tem uma saida, quando não consegue responder as próprias questões existenciais. Ninguém consegue plenamente.

Então, voltando ao assunto: uma amiga veio me ver, com a desculpa de que queria conversar comigo sobre algo sério.
Sei lá, eu tenho medo dessas conversas sérias. Se avisou antes, é porque coisa boa não é, fiquei pensando.
Enganei-me e não me enganei. Ela tinha acabado um relacionamento recentemente e queria que eu dissesse pra ela qual a mágica para sofrer menos.
Eu fiquei olhando pra ela, sabe? Como se eu soubesse responder!

Imagino até que a minha resposta não tenha sido suficiente pra preencher o vazio que ela estava sentindo, porque foi simplérrima e foi praticamente assim: "Coloca coisas boas na cabeça e vai resolver tua vida. Apesar de ter escolhido isso, você sofre, mas a gente faz escolhas que são ruins hoje e boas amanhã. Ótimas, aliás. São os enigmas da vida.".

Eu não disse antes -- pra ela --, mas nada é fácil. Eu sou assim porque, desde cedo... Bem, o que eu vou falar é a verdade. Alguns não acreditam, com certeza, mas se não fosse a minha religião, a minha história com Deus, eu não sei se seria assim hoje. Então, vou continuar.
Eu sou assim, porque, desde cedo, quando comecei a entender, por mim mesma, o que eu queria, fui estudar. Meu estudo é o Evangelho e pronto. Gosto das reuniões espíritas, gosto de missas, gosto de cultos. Gosto de tudo, porque todos têm o mesmo propósito...
Mas se não fosse o que eu aprendi lendo, apreendendo os ensinamentos, a resignação, o perdão, a aceitar as escolhas de Deus... Nada disso eu seria, porque escolhi pôr em prática.

Pode ser que eu aprendesse sozinha, com as peias que levei. Pode ser, não duvido. Mas isso só me engrandeceu, vejam só como eu era pequena. Hoje cresci um pouquinho, mas não passei da puberdade.

Sem mistérios, pra encarar suas incertezas, vá em frente, lute, tenha fé, junte forças, caminhe. O caminho é caminhar.

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Muito bem

Ô demora pra eu dar notícias, hein?
Eu acabo falando quase tudo no Twitter e aqui eu demoro a reunir as ideias.

De pronto, percebi que a mobilidade do meu braço esquerdo estava enorme em comparação com as outras duas últimas cirurgias que envolviam catéteres. O curativo estava pequeno e eu não sentia a pele repuxar. Ponto positivíssimo.

A cicatriz está bem sequinha, sem secreções, e eu tô conseguindo mover o meu braço quase que totalmente. Tá ótimo. Agora, como sempre, é vestindo um sutiã 24 horas por dias, 7 dias por semana. Não dá pra tirar, pois a região do corte é imediatamente acima do seio, e qualquer movimento extra dá razão à gravidade.
Comecei até a tomar banho de biquíni, achei mais esperto de minha parte. Num foi uma boa?

De mais, só as superpontadas favorecidas pelo processo de cicatrização, mas hei de entender que é um sinal de recuperação celular, né?
Parece que elas vêm lá de dentro, como se puxassem a pele machucada cada vez mais para dentro do corpo. Não dá pra explicar pra quem nunca sentiu...
Mesmo assim, estou sentindo pouco, se eu for comparar com as minhas lembranças.

Estou me sentindo muito bem, tanto é que meu feriado não foi atrapalhado pela cirurgia. Saí de casa, me diverti com os amigos, brinquei, namorei, fui ao cinema, tudo uma beleza.

Graças a Deus, tenho sido muito abençoada.

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Catéter infeccionado... de noooovo

Eu havia contado que febres surgiram na minha primeira medicação com o Temsirolimus.

Febre de ficar batendo o queixo e me contrair toda, daquelas que nos enchem de dor. Como já passei por isso, logo suspeitei que fosse alguma bactéria no catéter.
Naquele dia mesmo, fiz uma hemocultura do port. Para não arriscar, na semana seguinte, fiz a injeção do medicamento por acesso periférico (no braço).
Eu resolvi que não passaria mais por esse transtorno e avisei que, novamente, não faria o tratamento pelo catéter. De toda forma, fui no laboratório buscar o resultado. Assim que abri o envelope, entendi: o catéter tinha infeccionado.
Coitado, acabou de completar 4 meses de vida no dia 5 e vai embora em breve. Durou quase nada.

Ainda fiz as contas, e ele infeccionou entre a minha última quimioterapia de 10 dias (8/10) e o primeiro dia da nova droga (25/10). Não consigo imaginar como isso entra no catéter e começa a se multiplicar lá dentro, viu! De toda forma, sabe que eu nem gostava desse catéter?? Eu queria me livrar dele desde o primeiro dia. O bicho é bem maior que o outro que eu tinha e fica muito exposto; estica a pele do meu colo e a deixa supersensível.

Então, como hoje não deu certo de eu me consultar com o infectologista, marquei pra amanhã à tarde. Vamos conversar e marcar a data da cirurgia de remoção do catéter nº 2.
Não vou colocar o catéter nº 3, pelo menos por enquanto -- espero que nunca mais precise de um, na verdade. Como estou fazendo uso de uma medicação amena, minhas veias não irão ressecar, então vou sem medo, nem me importo.

Vou poder voltar a dormir de bruços, como fazia antes de começar meu tratamento. Será que ainda consigo? Mudei de hábito por forças maiores, mas acho que revertê-lo é má ideia. É, deixa isso pra lá.

Ah, hoje fiz o tratamento novamente, já é a terceira semana, e não tenho sentido efeito algum, graças a Deus.

Beijos!

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Velhos amigos

Ultimamente eu tenho saído com um grupo de amigos da época do colégio. Não é novidade, porque a minha turma pra toda hora é da época do colégio, mas essa é outra que se iniciou por lá.
Pessoas que estudaram comigo e que me apresentaram mais pessoas do círculo de amizades delas, e por aí vai. Isso já tem uns nove anos.
Alguns eu continuei falando durante todo esse tempo, uns desapareceram, uns foram morar em outros estados, uns apareciam de vez em quando: todos foram reunidos.

Tenho que dizer que essa reunião de criaturas tão diferentes tem me animado bastante, porque, afinal, a gente só se encontra pra gargalhar, contar as nossas histórias, as nossas novidades.
Uma coisa que eu reparei foi que, mesmo com o passar dos anos, as amizades bem fundadas só trazem lembranças boas.

No começo, quando nos achamos e decidimos que iríamos nos encontrar, fiquei apreensiva, com aquela pulga atrás da orelha. Como estariam todos?
O pré-reencontro pode até ser amedrontador, mas é divertido rir do passado e constatar que o presente é parecido... E você quer aquilo no futuro, você quer dar continuidade à essa situação.
Nossas escolhas, no fim das contas, permanecem muito parecidas.

Outra coisa que percebi foi no quanto fizemos tanta besteira quando éramos adolescentes. Eu nunca fui de beber ou usar drogas, mas, relembrando, eu vejo que podia ter sido mais calma.
Eu olho e penso: "Meu Deus, eu tinha só uns 15 anos nessa época!", mas a gente precisa passar por aquilo pra ser o que é hoje, né?
Graças a Deus é que tudo isso é relevado, a gente aprende pra não cair na mesma tentação, e colocamos um véu sobre o passado.

Será que eu seria do mesmo jeito se minha vida tivesse tido outro rumo? Acho que não, viu.
No que for bom, acho que não precisamos mudar mesmo. Mas naquilo que precisa, vamos correr atrás?

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Viver, viver, viver!

Tô pertinho de completar dois anos de tratamento, e fiquei pensando, pensando.

A primeira vez que retornei a São Paulo, após o diagnóstico e o 1º PET, tive uma melhora de 95%. Isso foi no começo de 2009.
O médico falou: "Esses 5% que restam podem ser bem mais difíceis de desaparecer que os 95%."
Eu acreditei, mas não queria que fosse verdade.
Se desapareceram 95% em 5 ou 6 meses, porque os 5% não iriam ser fichinha?

Com a constante revisão, eu quase chorei quando, ainda no começo, me iludi pensando que ia receber alta. Cedo demais.
Depois dessa, me aquietei. Percebi que as coisas não eram desse jeito. Afinal, não era brincadeira.
Hoje estou mais consciente dos fatos, mas eu me sinto tão bem, que é difícil não acreditar na cura. Realmente difícil.

Me corta o coração ouvir que a doença está estável, ao invés de um "Zerou, vá com Deus", mas não vou me acabar por isso.

Hoje comecei uma nova quimioterapia, quase chegando ao trigésimo ciclo -- de 1, de 5 e de 10 dias.
Que diferença faz?
Eu teimo em ser ótima, e minha rotina se baseia no tratamento, portanto vivo várias restrições... Mesmo assim, acho que tenho o direito de aproveitar meus dias da melhor forma possível. E possível quer dizer não me trancafear em casa, como a maioria dos pacientes faz.
Por que isso???

De que adianta ficar em casa, descansando o que não é preciso descansar? Não é melhor ter uma vida ativa?
Estudar no colégio ou na faculdade, trabalhar, fazer compras, resolver problemas... Some tudo e terá o que tinha antes. Fora eu não poder me planejar em longos prazos, pra daqui a três meses, por exemplo, e ter minha agenda focada na quimioterapia, vou contar: tô dentro!
Tô dentro do cinema, dentro da festa, dentro da praia, dentro da casa dos amigos...

Se você conhece alguém que resolveu restringir a vida social, manda essa criatura me ligar, me dar um sinal de fumaça, fazer uma visita, me escreve um e-mail. Ficar neutro é que não dá!

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Eu, leitora

Estava lendo a revista Marie Claire desse mês e me deparei com a seção Eu, leitora, onde leitores escrevem seus textos, relatando histórias emocionantes, e mandam para a revista. Caso o texto seja aceito, ele será publicado.

O exemplar do mês de setembro vem narrando como uma mãe, no seu instinto, descobre uma lesão aumentada na cabeça da única filha e não se cansa até conseguir um médico que remova com cirurgia. Daí a biópsia mostra outra coisa...

Achei interessantíssimo, o caso da menina era mais raro que o meu. Tudo bem que já faz 12 anos que isso ocorreu, mas ela era o 11º no mundo!!

E pra você ver como são os médicos indiferentes... Médico nenhum tem o poder de Deus pra saber se você vai morrer agora ou daqui a 70 anos.
Eu ainda me impressiono como alguns são totalmente ridículos.

"Fomos ao melhor oncologista do país. Foi no consultório desse médico que ela soube o que estava acontecendo. Ele foi muito insensível. Usou as seguintes palavras: ‘Sua doença é muito grave, você vai perder seu cabelo e provavelmente os seus dentes, e eu não sei se você vai ter cura. Você vai vomitar bastante e passar muito mal’. Nós três começamos a chorar compulsivamente, e na minha cabeça só vinham imagens do nascimento dela, dos primeiros passos, da primeira vez em que ela me chamou de mãe, do primeiro dia na escola. Foi horrível. Eu olhava para ela e me perguntava até quando ela estaria ao meu lado, ao mesmo tempo em que não admitia perdê-la."

Veja a história da Rosimeire Rossi toda aqui.

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Oi :)

Oi, gente! Como vocês estão??
Só mandando notícias, senão isso aqui não é atualizado nunca!!

Eu fui ao Rio de Janeiro nesse final de semana, pois tinha que fazer a entrevista no Consulado Americano para tentar conseguir o visto. Deu tudo certo, graças a Deus.
O cara que me atendeu lá tava tão doido que achou que eu tivesse uma irmã gêmea de mesmo nome.
"Não, moço, meu nome é Lara! O nome da minha irmã é Lana."

Eles têm todos os detalhes anotados no computador, mas perguntam a mesma coisa só para conferir e pegar quem tem algo a esconder escorregando na mentira, né?

Andei muito, dormi quase nada, tive que acordar supercedo em dois dos três dias em que estive lá.

E sabe de uma coisa? Eu estou me sentindo maravilhosamente bem, como se eu não tivesse nenhuma doença mesmo, como se eu pudesse fazer tudo o que quisesse. Acho o máximo essa sensação.

Beijos!!

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Pai

Meu pai veio me contar um negócio que me deixou orgulhosa.
Ele chegou em casa dizendo que tinham falado mal dele, mas ele havia agido diferente por minha causa, tinha deixado pra lá.
Eu imaginei logo: "O que eu tenho a ver com isso?"

Foi aí que ele respondeu: "Porque eu pensei no que você fala, que a gente tem que relevar o que as pessoas dizem, não ficar com raiva."

Juro por Deus como eu fiquei matutando, pensando em quando eu disse isso.
Eu penso, mas não lembro nunca de ter dito isso.
Todo mundo acaba falando algo que magoa. Nem precisa ser necessariamente negativo, mas algum fato que a pessoa não gostaria de ouvir nos escapa.

Uma vez, uma grande amiga veio com essa conversa:
Amiga com raiva: "Você falou de mim para a Fulaninha"
Eu: "Eu falei mal de você? Eu falei isso, isso e isso. Não foi? Falei pra ela e falo pra você.
Amiga sem raiva: "Foi."

No final das contas, ser sincero apaga as mágoas. Às vezes, a notícia vem repassada por alguém mal intencionado. Acontece. Às vezes, mesmo sendo uma inverdade, não tem problema esquecer.
É bom saber esquecer.

(A conversa pode não ter sido exatamente dessa maneira, mas foi bem parecida.)

Pai, fiquei orgulhosa!! Eu não tenho nada a ver com isso, pois a ideia partiu de você.

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Qual porta você escolheu?

No último domingo, dia 5, o programa Domingo Espetacular, da rede Record, exibiu uma longa reportagem sobre ex-milionários. A grande maioria dos entrevistados ganhou uma bolada na Mega-Sena, alguns anos atrás, e perderam a fortuna. Sobrou nadinha.

Uma dessas criaturas, chamada Antônio Domingos, chegou a receber o equivalente a 30 milhõres de reais. Ele tinha 19 anos. Resolveu viver em um hotel, ao invés de comprar e investir em móveis. E não era numa suíte qualquer, era na suíte presidencial.
Todo dia era uma mulher diferente, comidas diferentes, roupas diferentes. Se o carro desse prego, ele ia lá e comprava outro. Tudo o que ele tinha tornou-se descartável.



Como um dos maiores prêmios da Sena saiu no sábado, esse era um assunto bastante comentado. Eu não joguei, não costumo jogar, mas quem não quer dinheiro fácil??
De fato, mais de 80 milhões, que foi o que saiu no último sorteio, não me fariam bem. O que fazer com tanto? Viver de excessos? Não, obrigada.

Durante a reportagem, fiquei pensando no que se passava pela cabeça dessas pessoas. Sem esforço, recebem um presente que pode mudar a vida delas -- e dos outros.
É um presente porque é uma oportunidade de mudança. Mesmo que seja material, com os intrumentos certos, com incentivos, pode-se fazer enormes caridades.
(Mesmo sem capital, caridades podem ser feitas, basta querer.)

Daí eu observo o quanto gastamos com supérfluo, quando não conseguimos dar um centavo a ninguém, quando não conseguimos dar uma palavra amiga.
Daí eu observo que, naturalmente, corremos para atravessar a porta larga, aporta das facilidades, a porta dos exageros, a porta por onde nos levam.
Ela é tão mais fácil de entrar, né? Todos passam por ela.

Caimos no erro como patos. O interessante é que nossa consciência existe, mas só conseguimos nos iludir com o quanto aquela porta nos é boa.
Demoramos pra perceber -- eu demoro anos --, e então podemos verificar que àquela época, seria melhor se tivéssemos feito de outra maneira.
Mas não dá pra voltar o passado. Infelizmente.

Eu estou na fase de analisar os acontecimentos. Analiso mesmo. Alguns na hora exata, outros só mais tarde.
Por isso, eu vejo comportamentos que me deixam bastante embaraçada. Fico pensando naquilo, em como nossa mente nos manipula, mesmo quando não queremos agir de tal forma.

É bom sempre pensar, raciocinar, ver o que será melhor. A vida é curta, e é só aqui que a gente cresce e evolui.

No dicionário divino não existe o termo "privilégio". Esforce-se.

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Carpinejar


O cético tenta explicar tantas coisas, e eu falo por mim, agora: acho muito mais vida em quem crê em Cristo, que tem uma alegria tão grande dentro de si, e não tem vergonha de dizer o que pensa.
Eu me sinto assim.

Nada contra quem pensa o contrário, todos temos o livre-arbítrio, a decisão de escolher no que queremos acreditar.
O que eu sei é que não preciso ver, só sentir.

Boa noite!!

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Com um pouco de emoção

uinta-feira eu fiquei apreensiva, dormi quase nada, e levantei, na sexta, doida pra saber logo o que ia fazer da vida.
Encontrei os médicos que eu precisava encontrar e me tranquilizei. Deu tudo certo, realmente eu vou ter de remover o catéter, mas descobri que não é uma intervenção arriscada.
De verdade, ela será igual à cirurgia de colocação do catéter. Eu lembro que não senti coisa alguma nessa cirurgia! :)

Então, já que a maioria escolheu uma narrativa com emoção, assim será.
(Ficou somente com um pouco de emoção, porque os detalhes apreensivos eu escondi de vocês, beijos.)

Meu oncologista me alertou de tantas maneiras que eu não sabia mais nem o que pensar. Não conseguia me comunicar com o infectologista, e fiquei doida por causa disso.
Acordei cedo, fiquei deitada, pensando se eu ia logo ao hospital ver se conseguia encontrá-lo. Fiz uma horinha e levantei.
Quando estava chegando ao hospital, resolvi ligar para ele. Fui obrigada a voltar para casa. Ele queria me ver só dali a duas horas, mas fez algumas perguntas a mim e já sentenciou: o catéter deve ser removido.
Certo, certo.

Fiquei confusa. Ia mesmo remover o catéter. O que tinha acontecido? Como uma bactéria colonizou meu porte? Entrou ali como? Eu tomo tanto cuidado!
Dúvidas, dúvidas...

Ao retornar, percebi que um casal esperava pelo mesmo médico. Ainda ficaria ali por mais tempo. Já estava dando dez horas da manhã, o jogo do Brasil às 11 horas... Quando??
Até que uma bênção aconteceu. Ah, foi realmente uma intervenção, porque me ajudou imensamente: o médico cirurgião que fez a primeira cirurgia passou pela minha frente.
Papai o chamou e eu avisei: "Prepare-se para mim, vou tirar o catéter."
Então o cara simplesmente sentou ali conosco, conversou, e acabou entrando na sala do infectologista também. Discutimos tudo o que se pode imaginar, e ali resolvemos a cirurgia.

Dei uma carreira, corri para o laboratório, fiz exames de sangue e fui para casa. Ainda deu tempo de pegar o início do jogo (que eu não prestei atenção, estava ainda perturbada com as novidades).
Fui me acalmando com o passar do dia, que eu não tinha nem noção, achava que não ia precisar fazer isso nunca, mas tudo bem.

Daí eu vou fazer a remoção do porte na segunda-feira beeeeem cedinho, vou ficar nos antibióticos até a infecção acabar, e faço uma nova hemocultura do meu sangue, para então confirmar que não existe mais infecção.
Quando isso ocorrer, marcaremos uma outra cirurgia, essa para colocar um catéter.

Questões a serem esclarecidas:
1 - Eu estava tomando o antibiótico oral correto.
2 - Não adiantava fazer antibioticoterapia direto pelo catéter, uma vez que não tem resultado.
3 - Eu estava sentindo as febres durante a quimioterapia porque o catéter estava sendo utilizado e ele já estava colonizado. A explicação eu não sei, mas deve ser por causa da presença das bactérias ali, né?

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Combate ao câncer

Hoje, para quem não sabe, é o dia mundial de combate ao câncer.
E olha eu na quimioterapia, rezando para ter forças para aguentar mais um dia (amanhã) e a próxima semana completa, agoniadíssima com o adesivo que segura o acesso ao porte e falta arrancar a minha pele... Ah, como eu queria um modo concreto de combatê-lo!
Às vezes eu penso que a mídia não dá bola para certos assuntos, apesar de eu não mais me espantar quando vejo a manchete "Fulano de Tal morre aos 27 anos".
Antes de ler, já vem aquilo: "Foi câncer, né?". E foi. Mas o cara tinha 27 anos! É, isso não importa.
E hoje, que mal tinha dar uma notícia?

Eu creio que um dia isso vai mudar, daqui pra frente não haverá mais sofrimento, e as pessoas pouco se abalarão. Esse dia ficará na memória como uma distante lembrança das mudanças do tempo.

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O que os astros dizem?

Você curte Astrologia? Eu não me dou com Astrologia.
Ainda quando era mais nova, que lia essas revistas de adolescentes tão terrivelmente infantis -- sorte que conseguimos mudar de opinião e não mais achar interessante como conquistar aquele gato do colégio --, tentava entender algo sobre o meu signo. Todo fim ou começo de ano, não tenho como lembrar agora, essas tais revistas vinham com mapas ou baralhos astrológicos, sem contar com premonições de como seriam os 365 ou 366 dias a se seguir: se você ia ganhar na loteria, se ia arranjar um paquera, se ia mudar de cidade, essas coisas tão simples da vida.
Ô lorota, meu Pai!

De resto, cresci pensando que signo era mesmo sem futuro. Negócio de ler signo no jornal? Pra quê? Tem dizendo lá que eu não devo abrir um negócio hoje. Mas será que amanhã eu posso? E eu estou interessada em abrir um comércio ou algo do tipo?
E quando tem lá dizendo que você vai encontrar um amor? Eu já não tenho? E se eu não conhecer ninguém nesse dia, o que houve de errado?

Uma vez eu assisti a um filme brasileiro, não consigo recordar o título, mas lembro que a atriz era a Deborah Secco (imagino que seja ela, mas não consegui encontrar no Google, então fica a dúvida). No filme, ela era alucinada por horóscopo, fazendo recortes e colando na agenda, todo dia, o que o signo dela dizia que ia acontecer. E era assim: se hoje tinha dizendo que ela ia cair da escada, ela acreditava piamente naquilo, e tropeçava no primeiro degrau.
No fim das contas, ela resolve passar as páginas da agenda, e vê -- oh! --, que muitos dos recortes se repetiam, e daí ela desacredita nessa história.

Minha irmã mais velha me trouxe um livro sobre astrologia, da Linda Goodman: 'Seu futuro astrológico'. Como de costume, peguei, porque não há nada tão ruim que não possa ser testado -- até livros que aparentemente são bons, eu jogo fora, pois não o são. Qual seria o problema de eu ler, certo?

Descobri até qual o meu ascendente: é Gêmeos. Mas enfim, eu ia lendo, e rindo, pois batia. Sou assim, quem diria?

Como reconhecer quem é de Capricórnio

Estude agora um capricorniano. Onde vai encontrá-lo? Em qualquer lugar em que ele possa progredir e melhorar. Em qualquer lugar onde possa avançar e realizar suas ambições secretas. tente uma reunião social. O Capricórnio não é o tipo despreocupado de festas, mas é tanto um escalador social quanto um escalador de montanhas. Pegue um grupo misto, de preferência na classe de maiores rendimentos. Pode tentar também um de nível médio, porém, quanto mais você desce, menores são as probabilidades de encontrar alguém do signo de Capricórnio. É provável que ele não esteja usando um abajur na cabeça, sapateando ou chamando a atenção para si de qualquer modo; ele será o espectador atento lá no fundo. No início, você pode até nem reparar nele, quieto e calmo, observando todas aquelas personalidades saltitantes, encantadoras, agressivas e brilhantes em torno dele. Cada qual no grupo parece estar mais bem equipado do que ele para a corrida – para qualquer corrida. Muitos estão blefando, alguns estão receosos, mas todos são altamente refinados, e o capricorniano parece não ter nenhuma chance contra eles. No entanto, quem vai vencer é ele.

Há sempre uma tênue aura de melancolia e seriedade em torno da personalidade de Saturno. Nenhum deles escapa completamente à influência de severas disciplina e abnegação. Muitos capricornianos têm pés fortes e usam sapatos. Cômodos. Suas mãos são hábeis, as vozes equilibradas e macias – e é provável que você note uma delicadeza que lisonjeia e persuade. Os capricornianos podem parecer e agir tão inofensivamente quanto um acolchoado de penas, mas são tão duros quanto um barrilhete de pregos. Eles martelam com persistência, incansavelmente, procurando digerir os insultos, as pressões, as decepções e o dever tão calmamente quanto a cabra digere latas enferrujadas, vidro quebrado e papelão. Como a cabra, eles têm estômagos de fero e chifres perigosos. Enquanto os extrovertidos e alegres espalham suas energias por toda a parte, os capricornianos jamais se desviam uma polegada para a esquerda ou para a direita. Eles seguem inabaláveis ao caminho que leva ao alto, com uma fé inata na segurança da estrada bem trilhada, desdenhando os sedutores atalhos que sabem estar cheios de armadilhas.
Os capricornianos têm uma admiração enorme pelos que precederam no alto da montanha, e que deixaram as regras para a caminhada. Cortejam o sucesso, respeitam a autoridade e honram a tradição. Muita gente enérgica e impulsiva os rotula de esnobes e enfadonhos. Em troca, a Cabra podia rotular seus críticos de imprudentes e loucos, mas em geral ela é esperta demais para, a fim de se defender, fazer inimigos desnecessários. O governado por Saturno submete-se. Eles concordam. Adaptam-se. Ou apenas aparentam fazê-lo? o capricorniano permite que os outros andem à sua frente, mas com frequência contra toda a lógica, chega primeiro. Tem o cuidado de evitar obstáculos, as rochas afiadas.

Há capricornianos deliciosamente românticos – que compreendem a estranha luz da lua e as cores gloriosas da asa da borboleta. Mas não permitem que as emoções os impeçam de ver os fatos. Não se pertencerem ao típico povo de Saturno. Se o capricorniano escreve um poema encantador, cheio de imaginação e ilusão, o tema será sólido e a pontuação estará correta. Ele chega ao ponto exato, e não permite que o sentimento transborde pela beirada. Se você quiser o respeito da Cabra, não desafie as convenções. Mesmo os capricornianos mais ousados, e constituem as exceções, observarão pelo menos as aparências exteriores do que é aceito pela sociedade.

Raramente você encontrará o nariz reto e bem modelado do Capricorniano metido no assunto dos outros, ou a língua de Saturno tratando de mexericos. Se o signo solar estiver em combinação com influências conflitantes de Gêmeos ou Peixes, pode haver um pouco de tagarelices, mas o normal é ficarem satisfeitos com seus próprios assuntos. Eles não costumam dar conselhos sem que lhes peçam, mas quando você busca deliberadamente sua sabedoria prática, não hesitam em dá-la com um grande colorido de linguagem. E também esperam que você a aceite. O capricorniano aprendeu a lidar com o dever e a responsabilidade, e a tolerar a frustração. Se você não puder seguir seu exemplo, ele pouco tempo perderá em ensinar-lhe, e lhe dedicará apenas um pouco de compaixão.

Com seu espírito prático, raramente a Cabra entra num negócio ou no casamento sem estar preparada financeiramente para o primeiro e emocionalmente para o segundo. Esta gente faz coisas estranhas pela segurança. A velhice vive sempre na mente do saturnino. (...) A oportunidade jamais tem de bater duas vezes à porta da Cabra. Ela atenderá à primeira batida. Na verdade, ela está encostada à porta, escutando e aguardando.

Ela é tão tímida, tão meiga, talvez um pouco teimosa, porém gentil. Parece inofensiva! É uma pessoa em quem se pode confiar – e que levanta o seu ego. Quem é capaz de magoá-la ou suspeitar que seja ambiciosa? Durante todo o tempo, o capricorniano fica usando a fraqueza, os conceitos e os ciúmes dos outros para se fortificar. Ele é útil e cava se tornando tão indispensável, que você lhe pede que assuma o comando. Então ele governa discretamente lá no canto, manipulando modestamente os cordões da autoridade. A Cabra submerge seu ego para obter o que este ego realmente deseja – a posição do verdadeiro líder. Com bondosa, severa e cautelosa sabedoria, ele protege o passado de qualquer negligência, e o presente de qualquer confusão, para que você possa construir o futuro com segurança.

Com certeza, eu digo que eu venço tudo. Sou boa em tudo. A humildade não bate tanto à minha porta, porém sou sempre humilde para com meu Deus – normalmente, só a Ele.
Eu falo por mim, porque só por mim posso falar: eu sou delicada, mas sou uma bruta, ao mesmo tempo. Sem querer ser ignorante, mas já sendo. Ou sou curta nas palavras, ou converso demais.
Posso ser inofensiva, sim, às vezes parece que o capricorniano quer mesmo é dominar o mundo. Queremos. Quero. Mas não preciso fazer mal à ninguém por isso, apesar de realmente não me desviar do meu caminho, do que eu tracei para seguir. Se é assim que desejo, assim será.

Eu respeito meus antecessores, por isso acredito ser tão insensato quem não age desse modo. Sério, quer o quê? Na verdade, tenho horror a desrespeito e humilhação. E, assim, realmente eu me submeto a várias coisas que eu não necessito, mas não quero intrigas ou brigas. Nem pensando em me defender ou lucrar de algum modo, é que minha ambição é ter amigos.

Sou romântica assumida, adoro beijos, abraços, muito amor, mas consigo ver os fatos. O amor não me deixa cega. Eu me acho das mais modernas, mas sou chata, de verdade, em relação ao que a sociedade aceita.

Eu concordo que eu, Lara, não gosto de fofocas, mas fui dizer isso para uma amiga, no fim de semana, e ela disse que eu sempre tenho uma novidade pra contar. Não entendo isso como fofoca, porque não vejo vantagem em falar dos outros, prefiro falar de mim. Eu amo falar de mim! Sinceramente, só acho que me meto sem permissão em assuntos da minha casa. E aprendi, quando era mais nova, a não julgar os atos dos outros, porque eu não queria ser julgada. Nesse tempo, eu era uma capricorniana fora dos costumes, doidinha para o meu atual gosto.

Mais teimosa que tímida.

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