Quem sou eu

Eu me chamo Lara Ferreira Rocha e tenho 25 anos. Sou dentista, paciente oncológica, e moro em Fortaleza. Tenho muita história pra contar...
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.

Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também!



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Lara

Cinco dias após escrever o último post no blog, a Lara deixou esse mundo para cuidar de todos nós lá de cima. 
Depois de quase três anos de luta contra a doença, seu corpo não aguentou. 
As contas de todas as redes sociais foram deletadas, mas é impossível desvencilhar seu propósito de vida (tanta vida) ao "Notícias da Lara". Aqui, ela contava seu dia-a-dia (mesmo quando estava tão cansada) e compartilhava seus momentos e vitórias com os familiares, amigos e desconhecidos.
Ela é a maior guerreira e maior VENCEDORA que já vi por aí e agradeço muito a Deus por termos dividido o mesmo útero, o mesmo berço, escolas, turmas, ideias, abraços, beijos, festas, discussões, 25 anos de vida.
A Lara não só vive no meu coração, como no de todos que a viram sempre com um grande sorriso no rosto.

O dia 27 de junho de 2011 marcou a nossa família, mas nada maior do que o amor que sentimos por ela.

Espero que você, leitor antigo ou novato, sinta-se à vontade aqui. Espero, também, que o exemplo dela conforte-o, assim como nos fortifica todas as manhãs.

Lana Rocha

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Família linda

Minha família é a coisa mais linda do mundo. Não existe igual, e eu não poderia pedir outra melhor, juro por Deus. Sou mais do que agradecida.

Só vendo pra crer como eu também sou amada, porque tenho recebido todo o carinho e atenção possíveis. Inimaginável.

Não consigo enxergar em todos os lares tanta paixão e harmonia! É amor demais pro meu coraçãozinho!
Fico derretida... Deu pra ver, né?
Eu já dava valor à minha família há muito tempo, não é de agora, mas tem horas que não dá pra deixar de falar.
Meus dias estão sofridos. Olhe, pra eu falar issooo... Mas, aqui em casa, eu sou o centro das atenções. Todos os olhares estão sobre mim. Não fico sozinha ou desamparada em momento algum.

Sei que tem casas por aí que não teriam condições de me dar tanto apoio. Não por falta de querer, mas talvez por medo, por desespero, ou por opção mesmo.
Sorte que eu tenho várias irmãs. Se não tivesse, já seria diferente. Minha mãe sempre está disponível, deixa de realizar suas coisas para ficar ao meu lado. Meu pai faz de tudo para que nada me falte. Até quem eu pensei que não iria me ajudar, está feliz em fazê-lo.

Não é mesmo a coisa mais linda que Deus poderia me dar?

♥ ♥ ♥

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Recuperação

Gente, desculpem pela demora, mas eu passei quase um mês internada. Tive problemas com os níveis de albumina, minha barriga inchou, e ainda estou me recuperando.

Estou bem melhor do que estava antes.

Beijos

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Recadinho

Meninos e meninas, quanto tempo eu não escrevo coisa minha por aqui, hein? Tenho andado um pouco sem paciência pra parar, apesar de meu tempo continuar completamente livre!
Tô me acostumando com essa vida, quero só dormir (Deus me livre...)!
Bem, tenho dormido bastante. Pra quem estava sofrendo de insônia, agora é simplesmente o contrário!

Ah, eu acho que nem contei! Tem 3 semanas que vou à uma psicóloga.
Eu desejava isso há muito, mas não me mexia para que o desejo se tornasse realizade. E nem me mexi. Ele veio à mim.

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Chega a ser engraçado

Gente, parece brincadeira, ó.

Segunda-feira, sem ter realizado exame algum, fui novamente ao meu médico, conversar e resolver o que faria da minha vida.
Ele me mostrou o e-mail enviad para o dr. Buzaid, e a resposta, que só dizia: "Concordo."
Sem tratamento novamente, para poupar meu fígado. Beleza demais.

Analisei umas imagens e descobri uma lesão no ovário. Fiquei preocupada.
Acho impressionante como o médico vê isso no PET e não dá a mínima importância. Desde quando eu tenho esse tumor?? Nunca ninguém me disse nada.

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HEMOCE precisa de doadores

Gente, o HEMOCE está sem estoque nenhum de sangue RH negativo!
Há um veículo para pegar o doador e depois levar de volta. 

Galerinha saudável e disposta, façam essa caridade! Pedido de amiga.

Contatos: 3101-2300 (Nágela)

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Aniversário e PET

A comemoração do aniversário foi ótima. A família reunida resolveu ir para uma rua movimentada, e minha tia grita: "Restaurante, chopperia e karaokê! Vamos ali!"
Como ela conseguiu ler esses dizeres enquanto estávamos dentro do carro, só Deus sabe, porque eram escondidissimos, mas tivemos uma noite agradabilíssima.
Confesso que só não foi melhor porque, no momento em que resolvi escolher uma música bem adolescente pra cantar, o dj negou, dizendo que a fila estava enorme e não daria mais tempo.

Sei que enchi o bucho de sushi e yakissoba, fiquei feliz por comemorar meu aniversário -- porque eu amo! --, e voltei pra casa pronta para começar o jejum.

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25 aninhos

Eu estou completando mais um aniversário, mais um nascimento, mais vida à minha vida!
Olha, eu amo comemorar esse dia. Amo de verdade.

Todo mundo aqui sabe que eu tenho uma irmã gêmea, não sabe? Então, se não sabia, descobriu agora.
Minha irmã se chama Lana. Igual às fadinhas do Castelo Rá-Tim-Bum, recordam?
Pois bem, eu era quem sempre queria convidar todo mundo para a minha casa, pra comer bolo, salgadinho, conversar, brincar... Sempre!

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Mais tarde

Sem notícias legais pra postar no blog. Na verdade, algumas coisas estão acontecendo, mas vou escrever tudo de uma vez só.

Espero que isso não atrapalhe a vida dos leitores. Aliás, por que atrapalharia??

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Feliz 2011

300ª postagem, e a primeira de 2011! (Quase digito 2010, porque foi o que pensei. Por que a gente demora a perceber que é um novo ano?)

Preciso explicitar aqui o meu agradecimento a vocês todos, que acompanham ou não o blog, que acompanham ou não o Twitter, anônimos ou não, mas que me acompanham em suas vidas, seja por pensamento, por oração, por convivência...
Todos os dias, eu repito bastante por aqui, percebo o quanto eu sou diferente. Não diferente de ninguém, porque eu não enxergo isso: são os de fora que me vêem assim. Mas quando eu falo diferente, quero dizer que eu percebo o quanto as pessoas me tratam melhor, me querem bem.
Não sei dizer se é por causa da doença ou simpatia mesmo, mas eu sou bem tratada. Às vezes, por mau costume, até estranho quando isso não acontece.

De toda forma, gosto de ser tratada de igual para igual. Não sou nada de mais ou de menos por ter o meu diagnóstico. Sei que a preocupação comigo supera, mas eu me considero a super-mulher -- que erro!

Outra coisa que eu percebo, é que muita gente vem falar comigo e já me ama. Achei interessante, na festa de Natal da minha família, uma senhora, mãe do marido de uma tia, dizer que era minha fã. Ela nunca havia me visto, gostava de mim de ouvir falar.
Achei a maior fofura, e isso é lindo. É bom você amar as pessoas.

Já mais perto do fim do ano, quando estava comprando uma roupa nova para vestir na virada, a caixa me perguntou: "Você já deu uma entrevista na TV, né? Eu lembro de ti."
Obviamente, eu fingi estar encabulada, pra não me dar uma de estrela, até porque não tem nada a ver, mas foi natural. Só me espantei por um fato: a última entrevista que dei tem bem um ano e meio!

Assim, vim aqui para celebrar esse reconhecimento -- não devido --, porque eu até falei praquela senhorinha que mencionei aqui em cima: "Eu acho que a senhora escutou coisas demais sobre mim que não são verdadeiras."

Talvez, por ficarem lendo o que escrevo, vocês imaginam uma criatura tão boa, tão singela, tão dócil... NADA!
Não sou nada disso, gente. Sou mais que ordinária. Meu desejo é o de ser alguém bom, mas sou só eu.
Sou forte, como diz minha mãe, mas sou forte no limite. Pra mim, todo mundo pode ser forte assim. Na minha cabeça, não me destaco por isso.
Tenho orgulho do meu ofício, não sou humilde o suficiente. Sou teimosa e odeio ser contrariada.
Duelo comigo mesma.

Tenho mais a aprender do que vocês imaginam.

Por isso, que em 2011 a gente consiga trabalhar menos e se divertir mais, sair menos e curtir mais a família, dormir cedo e dormir muito, não se iludir e viver a realidade, cuidar da saúde e usufrui-la ao máximo!

Beijos, beijos!

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Ainda não tô 100%

Ê, galera, minha recuperação tá meio complicada. Quando eu acho que tô melhorando, vem algo e me derruba.
Pra quem não se tocou e não fez as contas, eu tô doentinha direto desde a última viagem a São Paulo, em outubro. Lá mesmo, com o clima mais que frio, dei início a um processo de sinusite.

Aqui, melhorei, mas não me curei, e a sinusite me pegou de jeito. Recomecei o tratamento, estava melhorando, mas o contato com pessoas gripadas me levaram a contrair gripe também.
Tô na base de tosse e a voz rouca, rouca. Minha garganta nem dói, mas não tenho minha voz há mais de uma semana.

De todo modo, eu me sinto bem e tô indo trabalhar todos os dias!! Até somei uma nova clínica à minha rotina: uma clínica popular, no centro da cidade, de uma das minhas colegas da pós-graduação.
Não vou mentir que tô me cansando pra chuchu, mas mal sinto esse efeito. Aliás, quem sente mesmo são meus olhos, que pedem sossego assim que chego em casa.

O ano já está acabando, ninguém mais quer resolver nada á essa altura do campeonato, né?
Eu não ia querer. Sei lá, fica como se tivesse interrompido. Tem o Natal, tem o ano-novo, as pessoas pedem férias e se mandam daqui... Nada parece andar. E falemos a verdade, quem quer trabalhar?
A gente trabalhou o ano inteiro, quer mais é se aquietar, né não?

Beijo grande!

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Natal e Guará

E a comemoração do nascimento de Jesus, como foi?
O meu foi bom, fiquei uma parte das horas com a família e voltei cedo para casa. Passamos a meia-noite orando.
Primeira vez que isso acontece.

Mesmo assim, fui deitar supertarde -- ao nascer do sol, com todo o cansaço acumulado.
Os irmãos ficaram na sala conversando, vendo programas na televisão, e eu suplicando para irmos deitar.

No fim, eu me retirei para o meu quarto antes deles. Estava para não aguentar.
Aí recebi um aviso de que iríamos para Guaramiranga. Uma tia alugou uma casa, e pronto.
Viagem de última hora!!

Já cheguei aqui. O GPS nos colocou na maior cilada!
Ele mostrou o percurso mais curto, e nos mandou para uma antiga estrada totalmente esburacada e sem sinalização.
Minha vozinha, que tem Alzheimer, já estava ficando doidinha com o caminho sem fim.

Só não escrevo mais porque estou digitando tudo pelo celular.

Os adolescentes odiaram a divisão dos quartos e estão fazendo confusão até agora.
Vou ali curtir o friozinho.

Beijo grande e um feliz Natal a todos!!

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Buzaid na TV

Quem gosta de dormir até tarde e quem tá trabalhando porque recesso nem existe, perdeu hoje o programa da Ana Maria Braga, o Mais Você.

Uma amiga me avisou por mensagem, mas eu estava clinicando, e fui uma das que não conseguiu ver a belezura do meu médico na televisão.
Graças a Deus, tenho um carinho muito grande pelos profissionais que cuidam de mim. Só tenho a agradecer por ter recebido tantos anjinhos!
Por isso, precisei procurar o vídeo pra ver, certo?

Vale à pena reservar meia-hora de seu tempo para assistir ao vídeo completo da entrevista com o dr. Buzaid.

Ele explica como estão agindo novos tipos de tratamentos, como os experimentais -- os meus!

Quando se fala de saúde ou doença, uma palavra assusta e chega a dar medo: o câncer. A expectativa está melhorando a cada ano em relação à doença. Novas técnicas estão surgindo e os tratamentos estão muito avançados. Para conversar sobre o assunto, Ana Maria Braga conversou com o médico e especialista no assunto Antônio Carlos Buzaid.

Segundo o Buzaid, a novidade mais recente no combate ao câncer, em geral, é a chamada “Terapia alvo” -- a aplicação de medicamentos que atacam certos receptores ou genes da célula que funcionam como se fossem o gerador dela. A célula depende do gene anormal pra crescer e atuar como câncer. Se cortá-lo, ela eventualmente morre.

A quimioterapia, que é o tratamento mais conhecido no combate ao câncer, ataca bandidos e mocinhos, ou seja, as células tumorais e as células normais. a terapia alvo, embora também cause efeitos colaterais, não afeta tanto o paciente como a quimioterapia, e atinge predominantemente as células tumorais com gene anormal.

No campo da prevenção ao câncer, tem duas novidades:
- Há um ano foi comprovada a eficácia de 90% da vacina contra o vírus do câncer de colo de útero, o HPV. Todas as pessoas que estão na idade pré-sexual, ou seja, 11, 12 14 anos, podem tomar. A vacina ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas sim em clínicas particulares,e cada vez mais serão indicadas pelos médicos à população.
- Tomografia de tórax para detectar câncer inicial em fumantes: há um mês foi comprovado que, quem se submete a esse exame, diminui em 20% o risco de morrer de câncer de pulmão. Provavelmente, daqui a pouco este exame começará a ser realizado em mais pessoas. Hoje, só alguns têm acesso, uma vez que também não está disponível ainda no sistema único de saúde. Esta tomografia com baixa emissão de radiação é para a vigilância de câncer de pulmão.

Dr. Buzaid saindo do Sírio Libanês, terapias-alvo, vacinas contra o HPV antes da primeira relação sexual...
Adolescentes, meninas, mães, pais: bora nessa vacinar nossas lindinhas? Prevenir, né, galera? Prevenir!

"O maior cansaço da oncologia é emocional, não é físico."
(Antônio Carlos Buzaid)
Só essa frase daria um post...

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Perdoe-me, perdão

Há exatamente quatro anos, seis meses e 20 dias, perdi minha avó por parte de pai.
Muito lúcida e jovem, foi vítima de problemas cardíacos.

Eu tinha duas avós e um avô. Avô postiço, era padastro de meu pai.
Era meu avô, porque nasci e ele já existia em minha vida. Casou com a mãe de meu pai antes mesmo de minha mamãe pensar em engravidar de mim.

Infelizmente, perdi esse meu avô junto com a minha avó. O ano foi de uma tristeza muito grande.
Ele saiu de nossas vidas sem deixar rastros.

Vovó faleceu no fim de maio daquele de2006. Lembro que era época da Copa do Mundo. Estava viajando de carro e conversando sobre os últimos acontecimentos, dizendo como não entendia que o "meu" avô estava fazendo aquilo.
Bem, não cabe aqui falar tudo, pois estou detalhando vivências, acontecimentos sérios. Tenho um motivo, você vai perceber mais tarde.

Essa conversa toda é por casa dele, o avô.
Nós continuamos a frequentar a sua casa, claro, porque ele era da família.
Era um senhor gordo, de pele clara, cabelos brancos e jeito sereno. Era querido, eu o queria bem.
Em 2006, ainda, casou com outra mulher e cortou laços conosco -- comigo, meus pais, minhas irmãs. Qual o motivo? Não sei. Nunca tive explicações.
Sei que fui expulsa de sua casa -- não só eu --, mas aquilo me doeu bastante. Me doeu na alma, se é que se pode doer assim.
Por que, afinal, alguém faria isso?
Continuo sem saber.

Em 2006, perdi uma avó e um avô.
Sonhei demais em poder falar com ele novamente, meu amor era grande. Minha raiva passou, não tinha porque querê-lo mal. Às vezes eu pensava que ele era prisioneiro, que era obrigado a nos renegar. (Mas a gente só faz as coisas se quiser, não é verdade? Se a ideia é de outro, mas a concebemos, é porque, de algum modo, ela nos é certa.)

Há uma semana, deram-me a notícia de que ele estava internado, doente. Horas mais tarde, ele faleceu.
Estava melancólica. Saber daquilo me deixou com um sentimento de pena maior do que o da saudade.
Sim, eu sentia saudade, mas minha dó era porque não pudemos nos reconciliar, e agora era tarde. Eu esperava que ele me pedisse desculpas.
Senti, dentro de mim, a necessidade de vê-lo no velório, e briguei por isso. Fiquei triste, me emocionei. Era meu avô alí no caixão, e nós não nos falávamos há mais de quatro anos!

Nunca consegui entender esse afastamento, essa insensibilidade, por um simples motivo: eu não sou assim.

Hoje, na missa de sétimo dia, pedi perdão. Não foi ele quem se desculpou.
Nunca vi uma missa de sétimo dia tão sem emoção. Não somente por mim, mas por todos ali presentes, todos que minha vista conseguia enxergar.
Lia os versos do missal, as homenagens escritas, os textos ressaltando como aquele homem era bom, generoso, caridoso, solidário, amoroso.
Na minha cabeça, ia negando, como se balançasse a cabeça de um lado pro outro, como que fazendo um NÃO.
Não vivi com esse homem tão majestoso. Pelo menos, não o tempo todo.

Aí eu percebi que achava que o tinha perdoado. Achava, porque, àquele momento, só consegui ressaltar como ele me maltratou e nos maltratou.
Reclamei, em casa, do orgulho de alguns, mas não me via dessa maneira.
Tô vendo como o perdão é difícil. Quero lembrar dele como essa pessoa boa, generosa, caridosa, solidária, amorosa, e não como alguém que fingia que eu não existia e me reconhecia sem carinho.

Sei que ele perguntava por mim, às escondidas, mas renegar a família é de uma frieza enorme.
Mesmo assim, eu pensava tê-lo perdoado.

Dizem que quando se entra pela primeira vez numa igreja, pode-se fazer um pedido, não é?
Eis o meu: quero esquecer as ofensas, quero amá-lo verdadeiramente, quero colocar um véu sobre o passado.

Fico aqui imaginando como muitas famílias se perdem por discussões bobas, dinheiro, divisão de bens. Não tenho em mim essa desunião.
Pelo amor de Deus, não leve isso adiante. Sentir isso é ruim, meu povo. Não queria, não.

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Polo Dr. Bezerra de Menezes

Todo mundo que conhece a vida de Bezerra de Menezes sabe como ele foi uma pessoa bondosa e querida, adorava ajudar, vivia para isso.
Nasceu em Jaguaretama, interior do Ceará. Da casa dos pais, saiu para o mundo.

Mais velho, acolheu o Espiritismo, e o Espiritismo o acolheu.
Na sua terra natal, foi criado um polo que recebeu seu nome. Na verdade, o polo cresceu no sítio onde Bezerra foi criado: tem escola, tem casa, assentamentos, centro espírita, o que imaginar. Tudo para o bem do próximo.

Mamãe queria me trazer aqui há um bom tempo, e sempre acontecia algo para me impedir. Mesmo agora, doentinha, ela mesma ainda pensou em não me trazer, para eu não correr o perigo de piorar, mas nem adiantou.
Saímos de Fortaleza no início da manhã e chegamos há pouco.
Não sou fã de cidades interioranas, sou totalmente metropolitana, mas também não morro por estar aqui. Acho ruim é a falta de comunicação.

Aqui quase não pega sinal de celular e não tem telefone fixo, mas descobri uma sala cheia de computadores e acesso à internet. Achei bárbaro.
Pronto, não estou incomunicável. Posso tuitar, posso ver meus e-mails, posso conversar. Fechou.

Bem, e essa viagem aconteceu por que mesmo? Aqui é uma cidadezinha minúscula. O sítio, se hoje já é escondidíssimo e de difícil acesso, imagine o local há mais de cem anos, como não era!
O povo é pobre, mas ainda arranja tempo e tem iniciativa pra realizar atividades para o desenvolvimento dos nativos. Tudo bem que muita gente da capital, como nós e como o criador do polo, mas é a união quem faz a força.

À noite vai ter uma festinha de Natal para o pessoal que aqui mora, com música, encenação de teatro, comida... Vi um vídeo antigo, e as pessoas se locomovem pra cá de qualquer maneira, eles vêm até dos municípios vizinhos.
Acho que vai ser divertido.

Tentarei bater fotos e ou gravar vídeos para postar.

Beijo!

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Biossegurança

Como dentista, eu entro em contato com muitas secreções de pacientes, uma vez que a cárie é uma doença transmissível (ficou surpreso?) e o consultório é um nicho agradabilíssimo às bactérias.
Na faculdade, a biossegurança é um quesito de grande relevância: nada de sair de jaleco pelos corredores, nada de usar algo que não estiver estéril, nada de deixar cair instrumental no chão e devolver à bandeja. Por opção e por necessidade, eu sempre tentei ser a pessoa mais limpinha possível, e até tenho bastante repulsa a quem não é assim.

Porque, acreditem ou não, alguns profissionais são meio porquinhos. Os alunos, principalmente, adoram "escapadinhas" de higiene, já que o trabalho de limpeza é todo deles. Sim, na graduação, além de fazermos o trabalho de dentistas, fazemos também o dos auxiliares, e lavamos, enxugamos, lacramos, etiquetamos e empacotamos nossos instrumentais, inclusive passamos álcool nos materias utilizados por nós etc. É trabalhoso!
Isso não significa que todo aluno de odontologia faz isso, de modo algum. Até porque, acreditem ou não, o futuro dentista e o dentista são os profissionais da saúde mais limpos que eu conheço.

Tem coisa mais nojenta que gente que anda de jaleco fora de hospitais/clínicas? Fico doente, ô coisa do meu abuso!
Povo sem a mínima noção de biosseguranca, e é porque é da área da saúde. Imagine se não tivesse diploma, se não tivesse passado anos estudando como as bactérias podem ser transmitidas a outras pessoas, como se não ligassem pros outros.
Haja ignorância e sujeira!

Escolhi esse assunto pra abordar porque, semana passada, fui ao McDonald's e, ao meu lado, vinha uma enfermeira, vestindo um jalequinho lindo azul, fazer um pedido.
Olhei-a de cima à baixo, verifiquei o local de trabalho da criatura (normalmente encontra-se na manga da roupa) e concluí: não vou lá.
Não é frescura minha, pode ter certeza.

Ontem, quando fui à padaria, lá estava uma senhora vestindo jaleco. Jaleco branco. Mas patógeno tem cor? Já conseguiu visualizar bactérias a olho nu? E vírus, viu?
O povo só quer esconder jaleco quando tá sujo de sangue, e olhe lá.
Tem uns profissionais que acham o jaleco tão magestoso, que usam até com acessórios, como, por exemplo, o estetoscópio pendurado no pescoço.

Biossegurança, pra quem não sabe, é a união de "proteção" e "vida". Finalidade, portanto, de proteger vidas, de vidas sem perigos.
A minha revolta vem do fato de que ela parte de princípios básicos, que dizem que os profissionais devem tomar medidas para proteger a sua saúde e a da sua equipe, evitar contato direto com matéria orgânica, limitar a propagação de microorganismos e tornar seguro o uso de artigos, peças anatômicas e superfícies.

Andando pra lá e pra cá de jaleco, quaisquer profissionais estão sujeitos a invalidar todos esses princípios.
Entram em contato com pacientes com inúmeras enfermidades, algumas das quais desconhecidas pelos próprios pacientes, e tudo respinga em nossa vestimenta, fica podre de sebosa.
Com esses passeios, os profissionais espalham esses seres microscópicos, podendo provocar doenças em pessoas que não tinham nada a ver com aquilo.

Dá pra entender a minha preocupação?
Galera da saúde, não cooperem com as bactérias!! Cuidem-se, que é melhor.

Por favor, esse post não foi direcionado especificamente a ninguém. Se você se viu em minhas palavras em relação à sujeira em ambiente clínico e fora dele, abra os olhos e tente mudar seus hábitos... para o seu bem.

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Cadê, hein?

Gente, tô um pouco envergonhada com o "abandono" do blog, mas ultimamente tá sendo meio complicado acessar a internet pelo notebook, porque o tempo que eu tenho pra descansar, eu tô descansando -- lê-se dormindo.
O acesso à internet tá se restringindo ao celular, e olhe lá. Aí não dá pa escrever meus textinhos, né? Acabo desabafando só no Twitter e no Facebook, onde all my life está exposta.

Prometo escrever em breve.

Beijos, beijos!

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Nada a declarar

Gente, tô aparecendo aqui só pra dizer que está tudo bem.
Sem mais novidades. A vida tá igual à semana passada. Aliás, agora comecei a tossir, mesmo no meio de um tratamento com antibióticos. Sei não, viu.
Tô trabalhando, tô no meu curso de pós, continuo carequinha e gordinha, tô querendo comprar ingressos pro show do U2 e não consigo!! Assim, minhas coisinhas. :)

O tratamento foi ontem e foi ótimo, dormi muito quando cheguei. É incrível como essa me derruba. Chego e corro pra cama, não tem perigo eu fazer outra coisa.

Um beijo pra todos!

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Velhos amigos

Ultimamente eu tenho saído com um grupo de amigos da época do colégio. Não é novidade, porque a minha turma pra toda hora é da época do colégio, mas essa é outra que se iniciou por lá.
Pessoas que estudaram comigo e que me apresentaram mais pessoas do círculo de amizades delas, e por aí vai. Isso já tem uns nove anos.
Alguns eu continuei falando durante todo esse tempo, uns desapareceram, uns foram morar em outros estados, uns apareciam de vez em quando: todos foram reunidos.

Tenho que dizer que essa reunião de criaturas tão diferentes tem me animado bastante, porque, afinal, a gente só se encontra pra gargalhar, contar as nossas histórias, as nossas novidades.
Uma coisa que eu reparei foi que, mesmo com o passar dos anos, as amizades bem fundadas só trazem lembranças boas.

No começo, quando nos achamos e decidimos que iríamos nos encontrar, fiquei apreensiva, com aquela pulga atrás da orelha. Como estariam todos?
O pré-reencontro pode até ser amedrontador, mas é divertido rir do passado e constatar que o presente é parecido... E você quer aquilo no futuro, você quer dar continuidade à essa situação.
Nossas escolhas, no fim das contas, permanecem muito parecidas.

Outra coisa que percebi foi no quanto fizemos tanta besteira quando éramos adolescentes. Eu nunca fui de beber ou usar drogas, mas, relembrando, eu vejo que podia ter sido mais calma.
Eu olho e penso: "Meu Deus, eu tinha só uns 15 anos nessa época!", mas a gente precisa passar por aquilo pra ser o que é hoje, né?
Graças a Deus é que tudo isso é relevado, a gente aprende pra não cair na mesma tentação, e colocamos um véu sobre o passado.

Será que eu seria do mesmo jeito se minha vida tivesse tido outro rumo? Acho que não, viu.
No que for bom, acho que não precisamos mudar mesmo. Mas naquilo que precisa, vamos correr atrás?

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Viver, viver, viver!

Tô pertinho de completar dois anos de tratamento, e fiquei pensando, pensando.

A primeira vez que retornei a São Paulo, após o diagnóstico e o 1º PET, tive uma melhora de 95%. Isso foi no começo de 2009.
O médico falou: "Esses 5% que restam podem ser bem mais difíceis de desaparecer que os 95%."
Eu acreditei, mas não queria que fosse verdade.
Se desapareceram 95% em 5 ou 6 meses, porque os 5% não iriam ser fichinha?

Com a constante revisão, eu quase chorei quando, ainda no começo, me iludi pensando que ia receber alta. Cedo demais.
Depois dessa, me aquietei. Percebi que as coisas não eram desse jeito. Afinal, não era brincadeira.
Hoje estou mais consciente dos fatos, mas eu me sinto tão bem, que é difícil não acreditar na cura. Realmente difícil.

Me corta o coração ouvir que a doença está estável, ao invés de um "Zerou, vá com Deus", mas não vou me acabar por isso.

Hoje comecei uma nova quimioterapia, quase chegando ao trigésimo ciclo -- de 1, de 5 e de 10 dias.
Que diferença faz?
Eu teimo em ser ótima, e minha rotina se baseia no tratamento, portanto vivo várias restrições... Mesmo assim, acho que tenho o direito de aproveitar meus dias da melhor forma possível. E possível quer dizer não me trancafear em casa, como a maioria dos pacientes faz.
Por que isso???

De que adianta ficar em casa, descansando o que não é preciso descansar? Não é melhor ter uma vida ativa?
Estudar no colégio ou na faculdade, trabalhar, fazer compras, resolver problemas... Some tudo e terá o que tinha antes. Fora eu não poder me planejar em longos prazos, pra daqui a três meses, por exemplo, e ter minha agenda focada na quimioterapia, vou contar: tô dentro!
Tô dentro do cinema, dentro da festa, dentro da praia, dentro da casa dos amigos...

Se você conhece alguém que resolveu restringir a vida social, manda essa criatura me ligar, me dar um sinal de fumaça, fazer uma visita, me escreve um e-mail. Ficar neutro é que não dá!

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