Quem sou eu

Eu me chamo Lara Ferreira Rocha e tenho 25 anos. Sou dentista, paciente oncológica, e moro em Fortaleza. Tenho muita história pra contar...
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.

Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também!



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Estou

Aparecendo para dar algumas notícias... Fiz exames na quarta-feira e, na quinta, deu tudo certo pra eu fazer a quimioterapia novamente.

Graças a Deus, na hora não sinto nada. Vim mesmo sentir na segunda-feira, quando nem levantei da cama o dia inteiro. Aliás, levantei: ou era correndo para o banheiro ou era correndo para me levantar e vomitar.
Realmente estava superenjoada. Pelo menos, não botei pra fora nada do que comia. Incrível, né?

Sábado precisei transfundir sangue. Passei o dia no hospital. Foi uma grande confusão. Entrei no quarto, me instalei, mas ninguém parecia saber o que eu ia fazer por lá.
Por causa desse transtorno todo, passei oito horas esperando o procedimento terminar, porque ele foi começar somente cinco horas após a minha chegada.

Hoje estou melhor e com mais coragem, mas ainda sentindo alguns efeitos da quimioterapia.

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Notícias

Então, gente, como vocês estão?
A recuperação é demorada, mas meus médicos, analisando os meus últimos exames, afirmaram que eu estou boa, posso voltar às atividades normais.
A anemia persistiu e eu estou tomando ferro, para que os níveis melhorem.

Eu estou me sentindo muito melhor mesmo, sem comparação. Continuo sem conseguir comer, ô negocinho chato!
A nutricionista explicou umasc oisas pra mim, e aqui vai o que eu entendi: a pessoa não se alimenta direito e acaba emagrecendo muito rápido, certo? O corpo não pega energia da gordura, que seria o mais legal pra nós. Ele pega das proteínas que você tem armazenadas.

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Quimio

Como eu ainda não tô na minha melhor forma, só aviso que amanhã farei a quimioterapia. :)
Fiz exames de sangue e eles estavam beeeeeeeem melhores que os últimos. Meu médico, que já tinha dito que eu ia precisar de novas bolsas de sangue, até mudou de ideia.

Até a melhora, beijos!

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Esse fígado

Eu, até eu, tô achando difícil acompanhar os acontecimentos na minha vida. É cada um, viu? Todo dia é algo novo.

Logo que saí do hospital, sem dores no fígado e com dor na perna, já saí levando comigo receitas especiais, de tarja preta, pra não sentir mais nada.
Não senti mesmo.

Mas, do nada, aquele prurido que me deixou com o corpo todo machucado -- de tanto eu coçar, sem sucesso --, voltou. Não me aguentava, e minha barriga parecia inchar.
Com dois dias, eu estava 2kg mais pesada, o que era impossível ter acontecido se não tivesse algo por trás.
Tive febre, febre alta, de 40ºC e, também sem sucesso, não consegui comunicar o meu médico hepatologista sobre o ocorrido.

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Complicado

Essas mãozinhas que aqui escrevem pertencem a um corpinho complicado: ele vive pregando peças em mim, e ainda estamos longe de abril!

Eis aqui o meu relato:
A pessoa, depois de dias que merecem ser esquecidos, se sente a maravilha das maravilhas. Comendo de tudo, com coragem pra sair de casa, uma beleza.
Começou uma chuva enorme, mas eu tinha que fazer um exame de sangue, lá fui eu, ontem, pro laboratório.
Tive uma boa conversa com a atendente, falamos sobre tratamento quimioterápico, achei todos tão simpáticos!

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Notícias!

Uaaaaau! Meu povo, vou tentar resumir meus dias: exames, viagem, fadiga, volta à Fortaleza, internação, "arrumação" do fígado, dor, volta pra casa, descanso integral...

Sabe quando você diz: "Tem dia que não tem nada pra fazer, e tem dia que eu sou convidada pra três festas diferentes?"
Então, é mais ou menos isso: tem dia que você tá o máximo, a saúde superboa, e tem dia que você tá ruim que precisa consertar tudo ao mesmo tempo!

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Aniversário e PET

A comemoração do aniversário foi ótima. A família reunida resolveu ir para uma rua movimentada, e minha tia grita: "Restaurante, chopperia e karaokê! Vamos ali!"
Como ela conseguiu ler esses dizeres enquanto estávamos dentro do carro, só Deus sabe, porque eram escondidissimos, mas tivemos uma noite agradabilíssima.
Confesso que só não foi melhor porque, no momento em que resolvi escolher uma música bem adolescente pra cantar, o dj negou, dizendo que a fila estava enorme e não daria mais tempo.

Sei que enchi o bucho de sushi e yakissoba, fiquei feliz por comemorar meu aniversário -- porque eu amo! --, e voltei pra casa pronta para começar o jejum.

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Sinusite persistente

E a saúde, hein, gente? Como tá?
Minha sinusite-sem-fim continua dando o ar da graça.

Eu sentia que tinha melhorado, não estava com secreção, mas os meus 100% não retornavam. Complicado é ter um grande problema e ser atacada por problemas pequenos, oportunistas. Aí os pequenos persistem numa corrida que não para.
Desde que o câncer surgiu, tenho que dizer que gripei umas 500 vezes. Eu não ficava doente nunca. Aliás, acho que posso modificar a frase: desde que o tratamento surgiu, tenho que dizer que gripei umas 500 vezes.
Infelizmente, apesar de -- não canso de repetir -- eu estar numa forma excelente, o tratamento, por si só, debilita. E não tome cuidado, não, pra você ver.

Esses dias fui atacada por dor de dente e soube, na hora, que a sinusite, antes mesmo de ir embora, tinha voltado a todo vapor. Por isso mesmo, dei uma passada no infectologista. Bati no médico novamente, fiz exames -- bons, por sinal --, e recomecei a batalha de remédios contra a inflamação no meu seio nasal.

Meu pai me acompanhou no exame de sangue. Quer dizer, me deixou no laboratório e foi no hospital encontrar com um médico. Quer dizer, não é qualquer médico. Foi o médico que me atendeu na emergência, naquele mês de agosto de 2008, e quem contou a notícia pra minha família.
Com todo o meu carinho, eu o admiro. Ele não cansou até descobrir o que me fazia enjoar tanto e sentir dor. Fez exame físico, fez ultrassonografia, fez tomografia, me medicou, me deu esperança.
Quando reapareci, papai correu para chamá-lo. Ele perguntou como estava a faculdade, mas eu já me formei. Tô com um ano de formada. O tempo voa.

"Já tem mais de dois anos, dr. Clóvis. Mais de dois anos."
O tempo é tão rápido que não deixa nem pistas. Ludibria sem pena.

Então, dr. Clovis Augusto Portela Martins, meu muito obrigada!!

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Catéter infeccionado... de noooovo

Eu havia contado que febres surgiram na minha primeira medicação com o Temsirolimus.

Febre de ficar batendo o queixo e me contrair toda, daquelas que nos enchem de dor. Como já passei por isso, logo suspeitei que fosse alguma bactéria no catéter.
Naquele dia mesmo, fiz uma hemocultura do port. Para não arriscar, na semana seguinte, fiz a injeção do medicamento por acesso periférico (no braço).
Eu resolvi que não passaria mais por esse transtorno e avisei que, novamente, não faria o tratamento pelo catéter. De toda forma, fui no laboratório buscar o resultado. Assim que abri o envelope, entendi: o catéter tinha infeccionado.
Coitado, acabou de completar 4 meses de vida no dia 5 e vai embora em breve. Durou quase nada.

Ainda fiz as contas, e ele infeccionou entre a minha última quimioterapia de 10 dias (8/10) e o primeiro dia da nova droga (25/10). Não consigo imaginar como isso entra no catéter e começa a se multiplicar lá dentro, viu! De toda forma, sabe que eu nem gostava desse catéter?? Eu queria me livrar dele desde o primeiro dia. O bicho é bem maior que o outro que eu tinha e fica muito exposto; estica a pele do meu colo e a deixa supersensível.

Então, como hoje não deu certo de eu me consultar com o infectologista, marquei pra amanhã à tarde. Vamos conversar e marcar a data da cirurgia de remoção do catéter nº 2.
Não vou colocar o catéter nº 3, pelo menos por enquanto -- espero que nunca mais precise de um, na verdade. Como estou fazendo uso de uma medicação amena, minhas veias não irão ressecar, então vou sem medo, nem me importo.

Vou poder voltar a dormir de bruços, como fazia antes de começar meu tratamento. Será que ainda consigo? Mudei de hábito por forças maiores, mas acho que revertê-lo é má ideia. É, deixa isso pra lá.

Ah, hoje fiz o tratamento novamente, já é a terceira semana, e não tenho sentido efeito algum, graças a Deus.

Beijos!

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CIOSP 2011

Em setembro eu já havia recebido um e-mail de divulgação sobre o CIOSP 2011, que é o chamado Congressão de Odontologia, realizado todo ano em São Paulo.
É um megaevento mesmo, sempre tem de tudo: vai de marcas que melhor representam artigos odontológicos a representantes de consultórios. É de arrasar, todo profissional é apaixonado por ele.

Quem realiza o congresso é a APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-dentistas), e eles estarão comemorando o centenário ano que vem. Acredito que, por isso, resolveram nos presentear: a inscrição está gratuita!

Na hora, mesmo sendo fora da minha cidade, fiz a adesão. Quem é que sabe se eu não estaria lá na época, ou se rolasse uma viagenzinha extra?

Eu sei que lembrei do congresso, porque a data que eu marquei para o próximo exame de acompanhamento coincidiu com as minhas aulas de especialização em Ortodontia, e eu iria perdê-las. Indo ou não para as aulas, eu pagaria a mensalidade. Aí não rolava, né?
Foi então que pensei em mudar a data do exame e, consequentemente, da consulta com o meu médico. Escrevi para a secretária dele sobre essa hipótese e fui conferir o congresso.

Sério, dentistas de plantão: vocês viram a grade científica? A APCD botou pra quebrar!
Tô VIBRANDO com os cursos: Baratieri, Mondelli, Pegoraro, Guedes Pinto... Praticamente os autores que mais estudamos na faculdade, muito sucesso.

Quero ir!!! Quem puder, pelo amor de Deus, não perca... Vai ser o máximo!

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Atraso

Meu desejo era o de ter escrito antes, mas aqui a gente não para em casa e eu chego tão cansada, que nem coragem tenho.
O frio tá insuportável. Tô congelando.

Saí de Fortaleza no sábado, pela madrugada, e cheguei em São Paulo pela manhã. Fui direto para o congresso de ortodontia e lá fiz um estrago. Só penso no meu futuro dando frutos, porque haja trabalho e gasto, viu.

Os dias passaram, dei uma rodada pela cidade, e hoje acordei para realizar o PET-CT. Nunca demorei tanto fazendo esse exame.
Pus os pés lá não e o relógio ainda não tinha marcado as oito -- sete em Fortaleza. O horário de verão tá é me confundindo, aqui dá sete da noite e nem escureceu.
Fiquei no Sírio por mais de 5 horas!! Demorouu!!
Pra variar, foram aplicar lasix na minha veia, pra eu repetir as imagens.
Mais esperto eu tomar o remédio antes de começar o exame, né não??? Eu não vou nem mentir que tive vontade de fazer isso...

Caros amigos, amanhã mandarei mais notícias. Aguardem!! :)

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Campanha da mamografia digital gratuita

O Instituto do Câncer tem um site dedicado ao câncer de mama, maior vilão das mulheres.

Lá, há uma campanha denominada "Mamografia digital gratuita", especialmente para mulheres de baixa renda que precisem fazer esse exame. Ela funciona como milhares de outras do tipo clique e ajude.
Sendo que existe um problema: o número de acessos está baixo. Então, vamos ajudar?

Não custa nada, e é por meio do número diário de pessoas que clicam, que os patrocinadores oferecem a mamografia em troca de publicidade.

O sistema contabiliza as visitas da seguinte forma:
As visitas representam o número de sessões individuais iniciadas por todos os visitantes no site.
Se um usuário estiver inativo no site há 30 minutos ou mais, qualquer atividade futura será atribuída a uma nova sessão.
Os usuários que saírem do site e retornarem depois de 31 minutos serão considerados como uma nova sessão.

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PET

O PET, como eu expliquei antes, acabou não sendo da forma como eu gostaria, cedo da manhã, porque tive que resolver umas questões com o pessoal do agendamento.
Passada essa aflição, eu precisava dormir bem, já que cheguei em São Paulo durante a noite, e estava cansada.
Quem disse que eu conseguia adormecer?

Devido à necessidade de um jejum prévio ao PET, mal cai no sono, precisei levantar para me alimentar, e esperei a hora de sair de casa.

A preparação do PET se resume a: 1) ingestão reduzida de açúcar; 2) não fazer exercícios fisicos; 3) permanecer em jejum por 6 horas.
Esses pré-requisitos são todos devido a presença de um contraste endovenoso. O contraste tem, em sua fórmula, glicose. Se eu estiver com o nível de glicose elevado, não poderei realizar o exame.
A ingestão reduzida de açúcar e o jejum se auto-explicam, mas o que a atividade física tem a ver com essa história? Bem, eu não sei ao certo, mas meus conhecimentos me dizem que atividades extenuantes tambem elevam o nível de glicose, mesmo que momentaneamente.

Como eu fiz o jejum de 6 horas, minha glicose deu 71 mg/dl, quase o limite dos valores de referência. Fiquei abismada. Também não posso deixar baixar tanto, e eu não tinha nem noção de que estava assim.

No final das contas, também, ficar sem comer de 8 da manhã às 5 da tarde não me incomodou e não sofri com excesso de fome.

Para variar um pouco, o contraste ficou preso na mina bexiga e lá se foram mais milhares de copos de água e idas ao banheiro.
Retornei, refiz o PET, e agora é só esperar.

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Glicose

Antes de viajar, preciso fazer exames de sangue de tudo que é jeito, para mostrar ao médico de São Paulo, o dr. Buzaid.
Normalmente, eu vou lembrar dos exames já muito tarde, quando não tem mais condições de eu fazer um jejum prolongado. Nem por causa da minha fome, mas por causa do tempo.

Terça-feira, duas horas antes do voo, eu nem sei o que estava fazendo, correndo de um lado pro outro, a ideia do exame me ocorreu e eu tive que sair às pressas.
Chegando ao laboratório, a bendita atendente me pergunta se eu estou sem comer há oito horas. Claro que não estou, eu almocei. Tudo bem, meu médico me libera. Ficamos acertadas.

Quando a enfermeira/técnica em enfermagem vai colher meu sangue, ela simplesmente cisma com o meu exame de glicose e me faz assinar um termo de compromisso com a empresa, para que eu não os acusasse, no futuro proximo, de problemas com os resultados. Obviamente eu nunca faria isso e achei uma chatisse assinar aquilo, mas assinei.

Sabe quanto que a minha glicose deu, com a barriga cheia?
Oitenta e seis! Os valores de referencia vão de 70 a 99 mg/dL.
Vai dizer que uma alimentacao mais controlada e com pouco açúcar não valem a pena?

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Nervosa

Eu sempre fui nervosinha, desde que eu me entendo por gente. Não nervosa de brigar, de dar tapa e tudo, mas de não achar certo nada que estivesse errado, e não conseguir ficar tranquila enquanto não resolvesse.
Eu me pego fora de mim, muitas vezes, até encontrar alguém que faça eu me recompor. Quando eu digo fora de mim, é o meu eu estar fora de controle, entre uns gritinhos e choro.

Daí que, não sei o que me aconteceu, mas resolvi dar uma ligada pra São Paulo, pra ver os horários do meu exame e do meu médico e já confirmar.
Essa ideia de ligar estava na minha cabeça há dias, eu quem não tinha parado pra fazer o dever de casa.

Não é que quem me atendeu simplesmente disse que meu PET nãoestava agendado.
Eu marquei o meu exame há praticamente três meses, e não constava lá? Eu nunca tinha marcado uma coisa com tanta antecedência na minha vida, e me dizem que eu "não" tinha marcado?
Sério que eu comecei a tremer. Eu fico indignada quando algo atinge o meu tratamento, independente da forma.

Meu pai apareceu na hora, mandou eu não me estressar, e eu falei até que não me estressaria mais, mas foi impossível.
Eu me acalmei, conversei mais de vinte minutos com a atendente e, no fim das contas, eu já estava arrasada.

É que eu marco o PET no primeiro horário. Tenho que chegar no hospital seis e meia da manhã, mas é melhor, porque demora muito. Mesmo chegando cedo assim, só saio na hora do almoço. Além do que, preciso de seis horas de jejum, pelo menos. A gente só aguenta jejum prolongado quando dorme, né?
Pois bem, mesmo depois do meu chororô, não consegui "reaver" meu horário cedinho. A moça só conseguiu um espaço na agenda porque me encaixou. E chuta aí que horas? Doze e meia da tarde.

Me chateei, vou ter que ir dormir e me levantar às 5 da manhã, encher a barriga de comida e, provavelmente, voltar a dormir, pra não gastar nenhuma energia -- e, consequentemente, não sentir fome. Vou perder o meu dia, minha programação, meu saco vai encher... Enfim, dai-me paciência!!

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Colocar o port

Ainda me recuperando da cirurgia de segunda-feira passada e tomando antibióticos para combater a infecção, fiz um exame de sangue para conferir se eu estava pronta para (a) outra.
Sim, pode comemorar, posso colocar o catéter no meu peito novamente. E vai ser amanhã.

Até lá!

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Com um pouco de emoção

uinta-feira eu fiquei apreensiva, dormi quase nada, e levantei, na sexta, doida pra saber logo o que ia fazer da vida.
Encontrei os médicos que eu precisava encontrar e me tranquilizei. Deu tudo certo, realmente eu vou ter de remover o catéter, mas descobri que não é uma intervenção arriscada.
De verdade, ela será igual à cirurgia de colocação do catéter. Eu lembro que não senti coisa alguma nessa cirurgia! :)

Então, já que a maioria escolheu uma narrativa com emoção, assim será.
(Ficou somente com um pouco de emoção, porque os detalhes apreensivos eu escondi de vocês, beijos.)

Meu oncologista me alertou de tantas maneiras que eu não sabia mais nem o que pensar. Não conseguia me comunicar com o infectologista, e fiquei doida por causa disso.
Acordei cedo, fiquei deitada, pensando se eu ia logo ao hospital ver se conseguia encontrá-lo. Fiz uma horinha e levantei.
Quando estava chegando ao hospital, resolvi ligar para ele. Fui obrigada a voltar para casa. Ele queria me ver só dali a duas horas, mas fez algumas perguntas a mim e já sentenciou: o catéter deve ser removido.
Certo, certo.

Fiquei confusa. Ia mesmo remover o catéter. O que tinha acontecido? Como uma bactéria colonizou meu porte? Entrou ali como? Eu tomo tanto cuidado!
Dúvidas, dúvidas...

Ao retornar, percebi que um casal esperava pelo mesmo médico. Ainda ficaria ali por mais tempo. Já estava dando dez horas da manhã, o jogo do Brasil às 11 horas... Quando??
Até que uma bênção aconteceu. Ah, foi realmente uma intervenção, porque me ajudou imensamente: o médico cirurgião que fez a primeira cirurgia passou pela minha frente.
Papai o chamou e eu avisei: "Prepare-se para mim, vou tirar o catéter."
Então o cara simplesmente sentou ali conosco, conversou, e acabou entrando na sala do infectologista também. Discutimos tudo o que se pode imaginar, e ali resolvemos a cirurgia.

Dei uma carreira, corri para o laboratório, fiz exames de sangue e fui para casa. Ainda deu tempo de pegar o início do jogo (que eu não prestei atenção, estava ainda perturbada com as novidades).
Fui me acalmando com o passar do dia, que eu não tinha nem noção, achava que não ia precisar fazer isso nunca, mas tudo bem.

Daí eu vou fazer a remoção do porte na segunda-feira beeeeem cedinho, vou ficar nos antibióticos até a infecção acabar, e faço uma nova hemocultura do meu sangue, para então confirmar que não existe mais infecção.
Quando isso ocorrer, marcaremos uma outra cirurgia, essa para colocar um catéter.

Questões a serem esclarecidas:
1 - Eu estava tomando o antibiótico oral correto.
2 - Não adiantava fazer antibioticoterapia direto pelo catéter, uma vez que não tem resultado.
3 - Eu estava sentindo as febres durante a quimioterapia porque o catéter estava sendo utilizado e ele já estava colonizado. A explicação eu não sei, mas deve ser por causa da presença das bactérias ali, né?

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Doidona

Gente, olha a loucura de ontem! Sei não, viu... Eu fiquei perturbadinha das ideias!
Tava tudo muito tranquilo até a tarde, fiz minhas coisas, não me senti cansada nem nada. Beleza.
Tomei um banho e saí para a aula do curso de TPD. Até dirigindo eu fui!

Cheguei no curso, falei com o pessoal de lá e fui em direção à sala de aula. Pronto, depois daí eu nem sei o que aconteceu, porque foi só eu ligar o ar-condicionado que eu comecei a tremer de frio.
Uma das minhas alunas foi perguntar se eu estava bem, porque meu lábio estava roxo. Além do lábio, minhas mãos também.

Foi estranho de verdade. Dei a aula mais rápida da história e voltei pra casa correndo, porque não tinha levado nenhum remédio comigo.
Vim o caminho todo rezando para aquilo acabar, porque eu estava batendo os queixos no maior calor.

Pra ter noção da pessoa muito doida, cheguei em casa e fiquei imaginando um carro que não está mais aqui há uns 2 meses. Buzinei pra tudo que foi gente mexer no portão, mas o portão não precisava ser tocado.
Sabe? Pois é, eu não sei também.

Entrei voando, liguei para o meu médico e tomei os remédios que ele me pediu, e ainda me mandei para a emergência.
Pra ter noção da pessoa muito doida, peguei um casaco da mamãe, teimei até dizer chega que era o da minha irmã, e vesti ele de um jeito que eu não sei nem explicar agora. A única coisa que eu sei é que eu fiz um casaco sem capuz ter capuz. Percebam a garota...

Graças a Deus, mamãe e eu fomos ao hospital e entrei direto pra dentro da emergência, sem pegar fila nem nada. O frio acabou, mas eu estava superagitada.
Na verdade, a febre não havia passado. Às vezes isso acontece comigo: mesmo sem estar quente ou ter frio, estou com a temperatura elevada ou tenho calafrios e a temperatura está baixa.
Verdade mais ainda: a febre havia aumentado e o termômetro estava marcando 40ºC. Os enfermeiros nem acreditaram, tiveram que medir três vezes para, enfim, darem-se por satisfeitos.

Colhi exames de sangue e urina e bati uma radiografia, para ver se estava com algum problema no pulmão. Tudo ok. Nenhuma explicação para a febre alta.
Pelo menos, hoje descansei e está tudo legal.

Beijão!!

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Resultado

Oi, gente! Minha consulta foi no meio da tarde, e num instante eu já sabia de tudo.
Dr. Buzaid, calmíssimo, começou com um "o exame foi bom".
Apesar de eu sempre imaginar sim que o PET vai mostrar que eu melhorei, eu me condicionei a não enlouquecer na angústia da espera ou na ocasião de escutá-lo detalhar os acontecimentos. Mesmo assim, ri um bocado, talvez de nervoso.
Eu não me sentia nervosa, mas pode ser o inconsciente agindo, não é?
Fiz perguntas até demais, para tentar entender, pelo menos o mínimo, de como as coisas funcionam.

Enfim, os tumores deram uma parada. Nas próprias palavras do médico: "Você pensa que é fácil segurar os bandidos, mas não é. E esse remédio está segurando."
Então tudo bem, eu aceito.
Como no último PET, os tumores estão estáveis. E apesar de eu choramingar por causa da quimioterapia em dez dias, nada pude fazer, ela vai continuar assim.

Eu espero sempre boas notícias, sou nem depressiva (graças a Deus), porém é complicado comprender como o fato de uns tumores não crescerem (ao invés de se acabarem!) é tipo a melhor notícia do momento.
Eu sou muito resignada. Se isso acontece comigo, não é porque eu não me cuido, deve ter um motivo. Motivo esse que desconheço, mas nem por isso tenho o direito de me acabar, cair na tristeza. Vejo como um teste, esse pensamento está enraizado em mim.
Um dia eu vou ser aprovada com a nota máxima. Até lá, eu aguento as reprovações.

Há alguns meses, num instante de epifania, brotou na minha cabeça aquela ideia de uma data. Uma data desse ano. Eu imaginei, desde o princípio, que seria algo que eu ouviria do médico, porque só penso na minha cura. E algo que me faria feliz.
Quando fui para a audiência contra o plano de saúde, que a conciliadora foi remarcar para o dia que eu pensei, veio aquilo: "Não, desmarca! Eu não vou estar aqui."
Eu sabia que estaria em São Paulo fazendo mais exames e indo ao médico.
Como eu não tinha certeza, não me mexi.

Olha aí que interessante: o médico me deixou avisada que marcaria a próxima consulta. Vi, no calendário dele, o dia sendo marcado.
Pensei, opa! Daí que ele me vem: é aquele dia.
Desmarquei, já estava ocupada, mas fiquei muito contente. Afinal, ele queria marcar pro meu dia abençoado.

De toda forma, calma! Meu dia escolhido ficou para a audiência, não para a consulta. :P
Não criemos maiores expectativas.

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Outra véspera!

Pra quem fica no aguardo sempre, hoje é outra véspera importante: do exame PET-CT.
Para não ser diferente, ele está marcado para as oito horas da manhã. Preciso chegar no hospital 40 minutos antes, então já viu que horas eu tenho que me levantar!

Tudo está muito bom por aqui, beijão.

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