Quem sou eu

Eu me chamo Lara Ferreira Rocha e tenho 25 anos. Sou dentista, paciente oncológica, e moro em Fortaleza. Tenho muita história pra contar...
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.

Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também!



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Vacina contra o câncer

Eu já vi muita coisa nessa minha vida, mas, graças a Deus, o homem continua usando da inteligência pra fazer coisas boas!

Dessa vez, foi uma vacina que diz combater vários tipos de câncer, e com previsão pra ser lançada até o final de 2013. Achei a ideia superinteressante, espero que vingue.

A publicação está aqui.

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Semana Gourmet

Todo mundo gosta de comer bem, né? Às vezes dá vontade de ir naquele restaurante chique, mas como o dinheiro não basta, o desejo é preenchido por um fast-food da vida...
E nós, pacientes oncológicos, às vezes realmente ficamos a desejar no "âmbito alimentício", porque, cá pra nós, a gente não escolhe ficar enjoadinhos... E, muitas dessas vezes, a gente fica só na imaginação de uma comida bem suculenta, diferente da que a gente vê.

Bem, esse mês você pode matar essa vontade na Semana Gourmet.

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Buzaid na TV

Quem gosta de dormir até tarde e quem tá trabalhando porque recesso nem existe, perdeu hoje o programa da Ana Maria Braga, o Mais Você.

Uma amiga me avisou por mensagem, mas eu estava clinicando, e fui uma das que não conseguiu ver a belezura do meu médico na televisão.
Graças a Deus, tenho um carinho muito grande pelos profissionais que cuidam de mim. Só tenho a agradecer por ter recebido tantos anjinhos!
Por isso, precisei procurar o vídeo pra ver, certo?

Vale à pena reservar meia-hora de seu tempo para assistir ao vídeo completo da entrevista com o dr. Buzaid.

Ele explica como estão agindo novos tipos de tratamentos, como os experimentais -- os meus!

Quando se fala de saúde ou doença, uma palavra assusta e chega a dar medo: o câncer. A expectativa está melhorando a cada ano em relação à doença. Novas técnicas estão surgindo e os tratamentos estão muito avançados. Para conversar sobre o assunto, Ana Maria Braga conversou com o médico e especialista no assunto Antônio Carlos Buzaid.

Segundo o Buzaid, a novidade mais recente no combate ao câncer, em geral, é a chamada “Terapia alvo” -- a aplicação de medicamentos que atacam certos receptores ou genes da célula que funcionam como se fossem o gerador dela. A célula depende do gene anormal pra crescer e atuar como câncer. Se cortá-lo, ela eventualmente morre.

A quimioterapia, que é o tratamento mais conhecido no combate ao câncer, ataca bandidos e mocinhos, ou seja, as células tumorais e as células normais. a terapia alvo, embora também cause efeitos colaterais, não afeta tanto o paciente como a quimioterapia, e atinge predominantemente as células tumorais com gene anormal.

No campo da prevenção ao câncer, tem duas novidades:
- Há um ano foi comprovada a eficácia de 90% da vacina contra o vírus do câncer de colo de útero, o HPV. Todas as pessoas que estão na idade pré-sexual, ou seja, 11, 12 14 anos, podem tomar. A vacina ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas sim em clínicas particulares,e cada vez mais serão indicadas pelos médicos à população.
- Tomografia de tórax para detectar câncer inicial em fumantes: há um mês foi comprovado que, quem se submete a esse exame, diminui em 20% o risco de morrer de câncer de pulmão. Provavelmente, daqui a pouco este exame começará a ser realizado em mais pessoas. Hoje, só alguns têm acesso, uma vez que também não está disponível ainda no sistema único de saúde. Esta tomografia com baixa emissão de radiação é para a vigilância de câncer de pulmão.

Dr. Buzaid saindo do Sírio Libanês, terapias-alvo, vacinas contra o HPV antes da primeira relação sexual...
Adolescentes, meninas, mães, pais: bora nessa vacinar nossas lindinhas? Prevenir, né, galera? Prevenir!

"O maior cansaço da oncologia é emocional, não é físico."
(Antônio Carlos Buzaid)
Só essa frase daria um post...

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Eu, leitora

Estava lendo a revista Marie Claire desse mês e me deparei com a seção Eu, leitora, onde leitores escrevem seus textos, relatando histórias emocionantes, e mandam para a revista. Caso o texto seja aceito, ele será publicado.

O exemplar do mês de setembro vem narrando como uma mãe, no seu instinto, descobre uma lesão aumentada na cabeça da única filha e não se cansa até conseguir um médico que remova com cirurgia. Daí a biópsia mostra outra coisa...

Achei interessantíssimo, o caso da menina era mais raro que o meu. Tudo bem que já faz 12 anos que isso ocorreu, mas ela era o 11º no mundo!!

E pra você ver como são os médicos indiferentes... Médico nenhum tem o poder de Deus pra saber se você vai morrer agora ou daqui a 70 anos.
Eu ainda me impressiono como alguns são totalmente ridículos.

"Fomos ao melhor oncologista do país. Foi no consultório desse médico que ela soube o que estava acontecendo. Ele foi muito insensível. Usou as seguintes palavras: ‘Sua doença é muito grave, você vai perder seu cabelo e provavelmente os seus dentes, e eu não sei se você vai ter cura. Você vai vomitar bastante e passar muito mal’. Nós três começamos a chorar compulsivamente, e na minha cabeça só vinham imagens do nascimento dela, dos primeiros passos, da primeira vez em que ela me chamou de mãe, do primeiro dia na escola. Foi horrível. Eu olhava para ela e me perguntava até quando ela estaria ao meu lado, ao mesmo tempo em que não admitia perdê-la."

Veja a história da Rosimeire Rossi toda aqui.

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Pensei e não gostei

Acabou de me ocorrer um pensamento muito sério. Acho que estou descontrolada.
Eu vivo bem com a doença, normalmente não tenho problemas em lidar com os acontecimentos que se desenvolvem por causa dela. Desde sempre foi assim.

Mas eu percebo, tenho percebido, que estou sensível demais para outros acontecimentos. Vamos chamá-los de acontecimentos externos.
Uma coisa que não me estressaria tanto, tem feito eu chorar de raiva.
(Ok, eu posso ter exagerado no tanto...)

Foi assim quando eu liguei para confirmar o meu PET, e ele não estava marcado.
Hoje, recebi uma máquina digital que comprei pela internet. Estava animadíssima por ela ser minha e pelas funções. Eis que uma das minhas irmãs arranha a lateral dela, forçando, com um brinco, a região de um dos botões.

Xinguei, fiz escândalo, chorei, fiquei com ódio.
Disse uma palavrinhas desnecessárias. Vieram ver o que era e, claro, todos ficaram do meu lado.
Eu tenho noção de que não é, necessariamente, porque concordam comigo, mas pelo simples fato de não quererem um motivo para eu ter raiva.
Tenho quase certeza que todo mundo pensou que eu estava exagerando.
Parece que eu realmente estava.

Começo a imaginar, agora, que esse meu descontrole seja uma forma inconsciente de liberar minhas tensões... Mas, sinceramente, acho que não dá certo fazer isso.
Preciso arrumar algo que envolva menos escândalo, com certeza.

Alguma saída??


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Direitos do paciente com câncer

No começo deste ano, eu perguntei, aqui no blog, sobre direitos dos pacientes com câncer.
Eu havia pesquisado, mas tinha achado as informações um pouco confusas. Essa semana, a Ana Maria Braga mostrou, pro mundo, o que é possível se fazer quando se enfrenta algum problema de saúde. E não precisa ser só câncer não, viu?

Aqui vai, na íntegra.

Uma notícia dura, difícil de receber. O diagnóstico do câncer assusta qualquer pessoa e enfrentar o tratamento exige muita coragem e determinação. Nessa hora, quase ninguém se lembra de correr atrás dos direitos a que pacientes especiais têm. A maioria dos brasileiros que têm câncer não sabe, mas o simples diagnóstico da doença garante a eles direitos especiais.

Alguns hospitais em São Paulo, como o Hospital do Câncer, criaram cartilhas para orientar os pacientes. Elas estão disponíveis a todos - pacientes ou não - na internet.

Se você também não sabe que direitos são esses, preste atenção:
É lei: todo paciente de câncer, independente do tipo e da gravidade, pode sacar o Fundo de Garantia por tempo de serviço, o FGTS; assim como o PIS/PASEP.

Se uma criança tem câncer, mas os pais trabalhem, eles podem sacar o FGTS. A solicitação deve ser feita em uma agência da Caixa Econômica Federal. É preciso apresentar os documentos pessoais originais e o exame anatomopatológico, que diagnostica o câncer. O exame anatomopatológico é um documento essencial para qualquer tipo de benefício. Ele normalmente está no prontuário médico do paciente ou no laboratório onde foi feito o exame.

O paciente também tem direito a licença médica e a receber o auxílio-doença. Outro direito é a isenção de imposto de renda. Esses benefícios devem ser solicitados ao INSS. Os doentes também podem exigir mais rapidez da Justiça em qualquer processo. Para isso, basta fazer um requerimento diretamente ao juiz responsável pela Vara onde está o caso.

Para aqueles que ficaram com alguma sequela por causa da doença ou do tratamento, existem outros benefícios.
Pacientes que têm, por exemplo, um imóvel financiado - nesses casos dependendo do contrato e onde haja seguro - é possível que haja a quitação. Isso acontece em caso de invalidez. O doente que tem financiamento imobiliário pelo Sistema Financeiro da Habitação e paga o seguro por invalidez ou morte, junto com as prestações, pode solicitar a quitação total da dívida.

Para isso, é preciso contatar o banco, o agente financeiro, ou a seguradora responsável.
Quem tiver renda inferior a um salário mínimo também pode solicitar o transporte público gratuito. O transporte pode ser municipal, estadual ou interestadual, dependendo da necessidade de locomoção para o tratamento. A Justiça tem assegurado o direito dos pacientes viajarem de ônibus, barco, ou até mesmo de avião.

Caso o doente esteja debilitado a ponto de não conseguir se locomover sozinho, o direito é parcialmente estendido a um acompanhante - que no caso do transporte aéreo paga apenas 20% do valor da passagem. Existe ainda outro benefício importante que pode ajudar na mobilidade de quem ficou com alguma sequela. Existem alguns casos do câncer de mama, em que no tratamento se retira músculos, gânglios que podem causar alguma limitação de membros superiores.

Nesses casos, a pessoa tem direito a comprar um carro adaptado e isso vale para todos que ficarem com os movimentos das pernas, ou braços comprometidos. A legislação fala em veículos adaptados. Entenda-se por veículo adaptado o carro que precisa ter uma adaptação específica para atender a necessidade da pessoa, ou um veículo automático e/ou com direção hidráulica.

O carro adaptado é isento de:
- IPI, o imposto sobre produtos industrializados
- IOF, o imposto sobre operação financeira
- ICMS, o imposto sobre circulação de mercadorias e serviços.
Ao todo o desconto gira em torno dos 20% sobre o valor de mercado do carro.

Além das vantagens na compra, o paciente também não paga IPVA. E, se morar em São Paulo, pode ficar fora do rodízio de veículos.


Sabe o que é mais interessante? Há uma cartilha que ensina como proceder, e ela foi desenvolvida pelo Institudo Brasileiro de Controle do Câncer.
A cartilha está aqui.

Espero que ajude! :)

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Pensando Direito

Olha que alegria!!
Depois de muito perturbar e espernear um "Cadê a minha entrevista?", gravada dia 19 de novembro do ano passado, para o programa 'Pensando Direito', descobri que ela estava publicada no site da Unifor.

Check it out: corre até os 5"47', que é lá que eu apareço.

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Sei não

Ai, eu não quero matar ninguém de susto, mas depois que eu publico o blog nas minhas redes sociais é que lembro que essa notícia -- do câncer -- eu não saí espalhando por aí, e tem gente que desconhece tal história... E é porque vou fazer dois anos de tratamento.
E me vêm à cabeça o que se passa quando alguém descobre... Ah, sério, fique tranquilo!

Eu percebo isso quando encontro conhecidos pelos caminhos dessa minha vida. Às vezes, o ex-namorado de uma amiga que eu tinha há 10 anos e nem mantenho mais contato. Chega em mim e pergunta o que houve.
Eu, na maior sinceridade, respondo tão naturalmente que posso sair de bruta. É que tá tudo em mim já, eu nem me importo.

Enfim...

Cheguei em casa de São Paulo ontem pela madrugada, exausta! Acho que se eu me escorasse na parede, dormia ali mesmo, em pé.
Cedo fui para a quimioterapia, e tive uma boa surpresa: o adeviso que segura o meu porte foi mudado. Além de ter reduzido o tamanho em três vezes, é de outro material mais denso, mais fofinho. Foi um teste para mim, mas espero que ele fique assim, não aguento o outro, ele só me machuca.

Hoje acordei no maior frio, febre batendo. Tomei um remédio superfraco, porque era o único que tinha em casa. Pelo menos, fez a temperatura voltar ao normal.
Durante a quimioterapia tive mais febre, mas logo ela passou. Acabei não indo trabalhar e dormi a tarde toda. Oba!

Ah, e para variar um pouco do assunto de hoje: o que foi mesmo aquela convocação do Dunga, hein?
Gosto de futebol desde pequena. Mas a Copa é a Copa! Eu amo a Copa do Mundo, queria demais que o Brasil vencesse novamente.

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Pensando antes de dormir

Oi, leitores -- ou não.
Escrevo para dizer que estou ótima. Quando o PET e a consulta em São Paulo se aproximam, somados à certeza de que vou ter uma semana a mais de folga entre uma quimioterapia e outra, fico vibrando!

Esses dias assisti a um episódio de House, o fantástico médico que resolve todos os diagnósticos, de uma blogueira aficionada por contar todos os acontecimentos de sua vida.

Um dos possíveis diagnósticos para a garota do blog era câncer. Ela recebeu bem a notícia, mas perguntou quanto tempo de vida teria. Um ano. Tá, ficou arrasada.
As pessoas tiveram implantadas em suas mentes que essa doença é traiçoeira, só ouvem a palavra "câncer" e já imaginam a pior coisa do mundo, um monstro que extermina tudo... Como se realmente fosse assim!!

Dias depois os médicos retornam ao quarto dela para avisar que não, ela não tinha câncer. Ela estava com uma doença de maior malignidade, que iria matá-la em 3 dias.
Viu aí??

Dizem que o número de fãs e pessoas que podem ser influenciadas está diretamente proporcional ao número de postagens do blog, à rapidez de atualizações.
Eu posso agradecer por não ter tantas novidades por aqui, pois, no meu caso, postagens constantes não querem dizer algo bom.
Na verdade, não necessito de fãs... Mas não deixarei nunca de compartilhar minhas vitórias!

Na sexta-feira, querendo companhia pra perambular pela cidade, convidei minha irmã mais nova para um passeio. Fomos ao banco, resolvemos o que eu queria, e acabamos no shopping.
Esbarrei em uma amiga, que me confessou uma grande preocupação: o tio estava com câncer nos ossos e em outros dois locais. A família estava triste e com medo do que pudesse vir a acontecer.
Eu logo disse: "Mas por quê? Eu tinha no osso, e ele desapareceu!"
Eu nunca relatei como essa minha prova começou (fico devendo), mas eu tinha tumores em muitas áreas do meu corpo. Não consegui contar quantos eram.
O médico que primeiramente iria cuidar de mim, um hematologista conhecido, confortou o meu pai, num momento de desespero: "Metástases não querem dizer nada."
É raro aceitar de uma vez, porém aliar a fé, a vontade de viver e a não-revolta a tratamentos eficazes é uma receita de resultado e sucesso.
Mesmo em tratamentos, recebendo quimioterapia, dá pra ser muito feliz!

De certa forma, meus olhos enxergam, hoje, o que ontem não conseguiam perceber.

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22ª quimioterapia acabou... Oba!

Nossa, vamos lá ao que interessa: eu fiz quimioterapia nessas duas últimas e acabei hoje!

Ontem eu passei mal por causa do tratamento, novamente. Coisinha chata, viu.
Assim que acabei de almoçar, fiquei tonta, e imagino que a pressão tenha caido. De toda forma, não consegui desmarcar os meus pacientes e fui trabalhar, já me tremendo de frio -- mas sem febre. Toda vida começa assim...
Em uma hora, eu realmente estava com febre, me sentindo sufocada com as máscaras, e exausta. Tive que sair da clínica às pressas, voltei pra casa e fui direto pro hospital. Estava o puro abuso!

Fiz exame clínico e o médico que me atendeu passou vários exames de sangue, pra ter ideia do que estava acontecendo. Mas ele achava mesmo que era só resultado da quimioterapia, e realmente foi conclusivo.
Voltei a tomar um corticóide, que ele disse que iria me animar mais. É, pelo menos estou bem agora.

Estou feliz também, porque vou passar exatamente 23 dias sem receber medicamento algum, que a próxima vez é só depois de São Paulo. E de lá, ninguém sabe o que vem por aqui...

Dr. Buzaid, o médico que acompanha o meu tratamento, havia feito um pedido: eu deveria levar as lâminas da minha biópsia para um laboratório em Botucatu, onde seria feito um exame chamado c-erbB2. Eu recebi as explicações, mas juro que não consigo entender direitinho... O que sei é que, dando positivo para esse elemento, minha medicação iria ser alterada, porque eu poderia tomar um anticorpo monoclonal, que não me traria efeitos adversos -- ou os reduziria bastante.
Procurei no Google sobre o exame, e só encontrei referências ao câncer de mama.
Dois dias atrás recebi o resultado, e ele foi negativo. Então, agora é que não dá mesmo para suspeitar o vem pela frente...

Estou ansiosa!

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Combate ao câncer

Hoje, para quem não sabe, é o dia mundial de combate ao câncer.
E olha eu na quimioterapia, rezando para ter forças para aguentar mais um dia (amanhã) e a próxima semana completa, agoniadíssima com o adesivo que segura o acesso ao porte e falta arrancar a minha pele... Ah, como eu queria um modo concreto de combatê-lo!
Às vezes eu penso que a mídia não dá bola para certos assuntos, apesar de eu não mais me espantar quando vejo a manchete "Fulano de Tal morre aos 27 anos".
Antes de ler, já vem aquilo: "Foi câncer, né?". E foi. Mas o cara tinha 27 anos! É, isso não importa.
E hoje, que mal tinha dar uma notícia?

Eu creio que um dia isso vai mudar, daqui pra frente não haverá mais sofrimento, e as pessoas pouco se abalarão. Esse dia ficará na memória como uma distante lembrança das mudanças do tempo.

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Voltei pra minha terrinha

Voltei para a minha terrinha, estou em casa desde domingo.
Ontem mesmo, na segunda-feira, já recomecei a quimioterapia. Estou na 20ª quimioterapia!! Passa rápido, hein?

Conheci, para variar um pouco, na sala de espera do consultório, uma mulher que também está em tratamento. Começamos a conversar nem lembro o motivo. Muitas pessoas vêm falar comigo achando estranho, por eu ser tão nova e estar doente. Deve ter sido por isso também...
Enfim, ficamos alí falando de Deus, de fé, de animação na vida.

E hoje não é que ela me aparece lá de novo e vem contar pra mamãe que se achava muito alto astral, mas tinha lido o blog e percebeu que eu sou muito mais que ela.

Achei engraçado, porque eu nem comentei do blog na nossa conversa. E nem me acho tão supermega-alto-astral assim. A verdade é que eu fico feliz só de estar viva, de conseguir fazer o que quero (porque é preciso ter força de vontade), de ir atrás das minhas realizações e, novamente, de ter Deus do meu lado.

Não adianta murmurar o tempo todo nem desanimar. Se ficarmos assim, quem poderá mudar nossa cabeça?
Como diria o pensador Séneca, "É parte da cura o desejo de ser curado".

Beijos, queridos! Obrigada pelo apoio. :)

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Direitos do paciente

Algum leitor do blog conhece os direitos dos pacientes com câncer?
Já procurei bastante, mas não encontro.

Agradeço desde já, beijos! :*

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É mesmo?

Sério, eu nem lembro quantas vezes me peguei pensando "Ah, é, tenho câncer!", e agorinha foi assim.
Não, eu não sei porque isso acontece, como acontece, ou qual a explicação da minha cabeça funcionar desse modo... Mas eu ESQUEÇO.

Daí eu me espanto. Câncer, né? Que coisa! Câncer!
Então tá bom.

Dá pra imaginar esse insight acontecendo sempre? Pois acontece, eu não minto.

A impressão que eu tenho é a de que eu já falei aqui no blog, mas também não lembro. A vida é tão interessante, e nossas reações tornam-na mais curiosa ainda.

Fico muitíssimo feliz em perceber essas diferenças na minha vida, em como ter essa doença não altera em nada ela ser considerada boa, útil, proveitosa, agradável, justa, tranquila...

Muita coisa não estaria como está hoje se não fosse pelo câncer, mas a minha vida se tornou melhor, pois é vida!
Será que eu seria igual ao que eu era há dois anos? É bem capaz que sim... E, por isso, eu agradeço. No fim, a gente colhe o que planta, e eu não tenho dúvidas de que a minha colheita vai ser farta.

Essa noite eu fui numa padaria com amigas, mesmo para revê-las e bater papo. Há tempos eu não fazia algo do tipo, só pra passar a hora. Olha, aproveitar pequenas saídas é mais divertido do que se pensa. A gente ri, conta o que está planejando fazer e o que já fez... A gente se sente bem!
Ainda comprei pedaços de tortas pra eu experimentar, mas só vou comer amanhã. Meu estômago não está totalmente recuperado.

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