Cinco dias após escrever o último post no blog, a Lara deixou esse mundo para cuidar de todos nós lá de cima.
Depois de quase três anos de luta contra a doença, seu corpo não aguentou.
As contas de todas as redes sociais foram deletadas, mas é impossível desvencilhar seu propósito de vida (tanta vida) ao "Notícias da Lara". Aqui, ela contava seu dia-a-dia (mesmo quando estava tão cansada) e compartilhava seus momentos e vitórias com os familiares, amigos e desconhecidos.
Ela é a maior guerreira e maior VENCEDORA que já vi por aí e agradeço muito a Deus por termos dividido o mesmo útero, o mesmo berço, escolas, turmas, ideias, abraços, beijos, festas, discussões, 25 anos de vida.
A Lara não só vive no meu coração, como no de todos que a viram sempre com um grande sorriso no rosto.
O dia 27 de junho de 2011 marcou a nossa família, mas nada maior do que o amor que sentimos por ela.
Espero que você, leitor antigo ou novato, sinta-se à vontade aqui. Espero, também, que o exemplo dela conforte-o, assim como nos fortifica todas as manhãs.
Lana Rocha
Quem sou eu
Eu me chamo Lara Ferreira Rocha e tenho 25 anos. Sou dentista, paciente oncológica, e moro em Fortaleza. Tenho muita história pra contar...
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.
Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também! ❤
Em agosto de 2008, fui diagnosticada com câncer no abdômen. Meu tipo é raro, um tumor desmoplásico. Como ele, eu sou rara também. Sou animada com a vida, tenho fé em Deus, sou engraçada, sorridente, feliz, simpática e tantas vezes ingênua.
Conto, aqui, algumas de minhas novidades, além de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto.
Eu penso muito no amor, com certeza.
Espalhe todo bom sentimento por onde andar, ame você também! ❤
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Lara
domingo, 17 de julho de 2011 amor, Deus, família, Lara, vidaFamília linda
quarta-feira, 1 de junho de 2011 amor, Artur, Deus, família, feliz, Isabel, Jesus, Lana, mamãe, papai, vidaMinha família é a coisa mais linda do mundo. Não existe igual, e eu não poderia pedir outra melhor, juro por Deus. Sou mais do que agradecida.
Só vendo pra crer como eu também sou amada, porque tenho recebido todo o carinho e atenção possíveis. Inimaginável.
Não consigo enxergar em todos os lares tanta paixão e harmonia! É amor demais pro meu coraçãozinho!
Fico derretida... Deu pra ver, né?
Eu já dava valor à minha família há muito tempo, não é de agora, mas tem horas que não dá pra deixar de falar.
Meus dias estão sofridos. Olhe, pra eu falar issooo... Mas, aqui em casa, eu sou o centro das atenções. Todos os olhares estão sobre mim. Não fico sozinha ou desamparada em momento algum.
Sei que tem casas por aí que não teriam condições de me dar tanto apoio. Não por falta de querer, mas talvez por medo, por desespero, ou por opção mesmo.
Sorte que eu tenho várias irmãs. Se não tivesse, já seria diferente. Minha mãe sempre está disponível, deixa de realizar suas coisas para ficar ao meu lado. Meu pai faz de tudo para que nada me falte. Até quem eu pensei que não iria me ajudar, está feliz em fazê-lo.
Não é mesmo a coisa mais linda que Deus poderia me dar?
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Só vendo pra crer como eu também sou amada, porque tenho recebido todo o carinho e atenção possíveis. Inimaginável.
Não consigo enxergar em todos os lares tanta paixão e harmonia! É amor demais pro meu coraçãozinho!
Fico derretida... Deu pra ver, né?
Eu já dava valor à minha família há muito tempo, não é de agora, mas tem horas que não dá pra deixar de falar.
Meus dias estão sofridos. Olhe, pra eu falar issooo... Mas, aqui em casa, eu sou o centro das atenções. Todos os olhares estão sobre mim. Não fico sozinha ou desamparada em momento algum.
Sei que tem casas por aí que não teriam condições de me dar tanto apoio. Não por falta de querer, mas talvez por medo, por desespero, ou por opção mesmo.
Sorte que eu tenho várias irmãs. Se não tivesse, já seria diferente. Minha mãe sempre está disponível, deixa de realizar suas coisas para ficar ao meu lado. Meu pai faz de tudo para que nada me falte. Até quem eu pensei que não iria me ajudar, está feliz em fazê-lo.
Não é mesmo a coisa mais linda que Deus poderia me dar?
♥ ♥ ♥
VOLTEI PRA CASA
sábado, 21 de maio de 2011 amigos, famíliaGente, cheguei em casa. Não hoje, não ontem, mas na quinta-feira. Demorei a escrever porque ainda estou um pouco fraquinha.
Não tenho dormido o suficiente, infelizmente, mas a minha condição está cada vez melhor.
Voltei a quimioterapia na terça-feira, e próxima semana repetirei.
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Não tenho dormido o suficiente, infelizmente, mas a minha condição está cada vez melhor.
Voltei a quimioterapia na terça-feira, e próxima semana repetirei.
Natal e Guará
sábado, 25 de dezembro de 2010 Deus, família, Guaramiranga, Jesus, Natal, viagem, vida, WordleE a comemoração do nascimento de Jesus, como foi?
O meu foi bom, fiquei uma parte das horas com a família e voltei cedo para casa. Passamos a meia-noite orando.
Primeira vez que isso acontece.
Mesmo assim, fui deitar supertarde -- ao nascer do sol, com todo o cansaço acumulado.
Os irmãos ficaram na sala conversando, vendo programas na televisão, e eu suplicando para irmos deitar.
No fim, eu me retirei para o meu quarto antes deles. Estava para não aguentar.
Aí recebi um aviso de que iríamos para Guaramiranga. Uma tia alugou uma casa, e pronto.
Viagem de última hora!!
Já cheguei aqui. O GPS nos colocou na maior cilada!
Ele mostrou o percurso mais curto, e nos mandou para uma antiga estrada totalmente esburacada e sem sinalização.
Minha vozinha, que tem Alzheimer, já estava ficando doidinha com o caminho sem fim.
Só não escrevo mais porque estou digitando tudo pelo celular.
Os adolescentes odiaram a divisão dos quartos e estão fazendo confusão até agora.
Vou ali curtir o friozinho.
Beijo grande e um feliz Natal a todos!!
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O meu foi bom, fiquei uma parte das horas com a família e voltei cedo para casa. Passamos a meia-noite orando.
Primeira vez que isso acontece.
Mesmo assim, fui deitar supertarde -- ao nascer do sol, com todo o cansaço acumulado.
Os irmãos ficaram na sala conversando, vendo programas na televisão, e eu suplicando para irmos deitar.
No fim, eu me retirei para o meu quarto antes deles. Estava para não aguentar.
Aí recebi um aviso de que iríamos para Guaramiranga. Uma tia alugou uma casa, e pronto.
Viagem de última hora!!
Já cheguei aqui. O GPS nos colocou na maior cilada!
Ele mostrou o percurso mais curto, e nos mandou para uma antiga estrada totalmente esburacada e sem sinalização.
Minha vozinha, que tem Alzheimer, já estava ficando doidinha com o caminho sem fim.
Só não escrevo mais porque estou digitando tudo pelo celular.
Os adolescentes odiaram a divisão dos quartos e estão fazendo confusão até agora.
Vou ali curtir o friozinho.
Beijo grande e um feliz Natal a todos!!
Pensei e não gostei
quinta-feira, 19 de agosto de 2010 câncer, família, pensando, perdão, PET-scan, quimioterapia, vidaAcabou de me ocorrer um pensamento muito sério. Acho que estou descontrolada.
Eu vivo bem com a doença, normalmente não tenho problemas em lidar com os acontecimentos que se desenvolvem por causa dela. Desde sempre foi assim.
Mas eu percebo, tenho percebido, que estou sensível demais para outros acontecimentos. Vamos chamá-los de acontecimentos externos.
Uma coisa que não me estressaria tanto, tem feito eu chorar de raiva.
(Ok, eu posso ter exagerado no tanto...)
Foi assim quando eu liguei para confirmar o meu PET, e ele não estava marcado.
Hoje, recebi uma máquina digital que comprei pela internet. Estava animadíssima por ela ser minha e pelas funções. Eis que uma das minhas irmãs arranha a lateral dela, forçando, com um brinco, a região de um dos botões.
Xinguei, fiz escândalo, chorei, fiquei com ódio.
Disse uma palavrinhas desnecessárias. Vieram ver o que era e, claro, todos ficaram do meu lado.
Eu tenho noção de que não é, necessariamente, porque concordam comigo, mas pelo simples fato de não quererem um motivo para eu ter raiva.
Tenho quase certeza que todo mundo pensou que eu estava exagerando.
Parece que eu realmente estava.
Começo a imaginar, agora, que esse meu descontrole seja uma forma inconsciente de liberar minhas tensões... Mas, sinceramente, acho que não dá certo fazer isso.
Preciso arrumar algo que envolva menos escândalo, com certeza.
Alguma saída??
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Eu vivo bem com a doença, normalmente não tenho problemas em lidar com os acontecimentos que se desenvolvem por causa dela. Desde sempre foi assim.
Mas eu percebo, tenho percebido, que estou sensível demais para outros acontecimentos. Vamos chamá-los de acontecimentos externos.
Uma coisa que não me estressaria tanto, tem feito eu chorar de raiva.
(Ok, eu posso ter exagerado no tanto...)
Foi assim quando eu liguei para confirmar o meu PET, e ele não estava marcado.
Hoje, recebi uma máquina digital que comprei pela internet. Estava animadíssima por ela ser minha e pelas funções. Eis que uma das minhas irmãs arranha a lateral dela, forçando, com um brinco, a região de um dos botões.
Xinguei, fiz escândalo, chorei, fiquei com ódio.
Disse uma palavrinhas desnecessárias. Vieram ver o que era e, claro, todos ficaram do meu lado.
Eu tenho noção de que não é, necessariamente, porque concordam comigo, mas pelo simples fato de não quererem um motivo para eu ter raiva.
Tenho quase certeza que todo mundo pensou que eu estava exagerando.
Parece que eu realmente estava.
Começo a imaginar, agora, que esse meu descontrole seja uma forma inconsciente de liberar minhas tensões... Mas, sinceramente, acho que não dá certo fazer isso.
Preciso arrumar algo que envolva menos escândalo, com certeza.
Alguma saída??
Feliz Natal!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009 amor, família, feliz, Jesus, Natal, vidaFeliz Natal, gente! 
Espero que todos celebrem o 2009ª aniversário de nascimento de Jesus da maneira mais maravilhosa possível: com a família, os amigos, muita paz, e muito amor.
E que esse sentimento de celebração se prolongue, porque celebrar a vida nunca é demais.
Obrigada por todo o carinho de sempre. ♥
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Espero que todos celebrem o 2009ª aniversário de nascimento de Jesus da maneira mais maravilhosa possível: com a família, os amigos, muita paz, e muito amor.
E que esse sentimento de celebração se prolongue, porque celebrar a vida nunca é demais.
Obrigada por todo o carinho de sempre. ♥
Coisinha linda
amor, exame, família, feliz, formatura, futuro, Jesus, link, vidaEstou tentando postar desde cedo, mas o site está dando erro.
Hoje fui para a última consulta do ano, que foi bastante feliz. Como de praxe, lá fui eu me pesar, sentar na maca, ter o peito auscutado, tudo ok, vamos ver o exame de sangue e conversar.
O exame de sangue estava ótimo. Tive que fazer bem antes porque não vou estar em Fortaleza na véspera da próxima quimioterapia: vou passar o final de ano no Rio de Janeiro (que bárbaro!). Imagino eu que daqui a alguns dias minhas defesas estarão ainda melhores, já que descansarei um bocado.
Quer dizer, vou descansar no Rio? Acho que não!!
Vou pegar um solzinho, porque vou à praia. Gente, vocês não sabem há quanto tempo eu não vou à praia! Devido ao tratamento, a pele fica mais sensível aos raios solares, e pode manchar essa cútis tão delicada! Já pensou? Mas, enfim, vou me render à Armação dos Búzios -- outra coisa que você não sabia, né? Sim, Búzios tem nome completo e tudo.
Essa viagem é mais um "presente" pra mim, pela formatura. Ê desculpa pra viajar!
Então, estou superempolgada!
Ah, voltando ao médico: assim que sentei para conversar, fui logo perguntando quando seria a programação da próxima ida a São Paulo, para fazer o controle. E não é que o meu médico disse, olhando para o calendário e fazendo os cálculos na cabeça: "Na primeira semana de fevereiro você vai." Quase dei um pulo!
Pulo de felicidade! Soltei um: "Oba, vou pro Congresso e pro show da Beyoncé!"
Olha, se eu tivesse combinado não teria saído tão perfeito...
Tantos planos...
Legal, né? :)
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Hoje fui para a última consulta do ano, que foi bastante feliz. Como de praxe, lá fui eu me pesar, sentar na maca, ter o peito auscutado, tudo ok, vamos ver o exame de sangue e conversar.
O exame de sangue estava ótimo. Tive que fazer bem antes porque não vou estar em Fortaleza na véspera da próxima quimioterapia: vou passar o final de ano no Rio de Janeiro (que bárbaro!). Imagino eu que daqui a alguns dias minhas defesas estarão ainda melhores, já que descansarei um bocado.
Quer dizer, vou descansar no Rio? Acho que não!!
Vou pegar um solzinho, porque vou à praia. Gente, vocês não sabem há quanto tempo eu não vou à praia! Devido ao tratamento, a pele fica mais sensível aos raios solares, e pode manchar essa cútis tão delicada! Já pensou? Mas, enfim, vou me render à Armação dos Búzios -- outra coisa que você não sabia, né? Sim, Búzios tem nome completo e tudo.
Essa viagem é mais um "presente" pra mim, pela formatura. Ê desculpa pra viajar!
Então, estou superempolgada!
Ah, voltando ao médico: assim que sentei para conversar, fui logo perguntando quando seria a programação da próxima ida a São Paulo, para fazer o controle. E não é que o meu médico disse, olhando para o calendário e fazendo os cálculos na cabeça: "Na primeira semana de fevereiro você vai." Quase dei um pulo!
Pulo de felicidade! Soltei um: "Oba, vou pro Congresso e pro show da Beyoncé!"
Olha, se eu tivesse combinado não teria saído tão perfeito...
Tantos planos...
Legal, né? :)
1 ano de tratamento
terça-feira, 29 de setembro de 2009 amor, aniversário, blog, careca, Deus, entrevista, família, feliz, futuro, gordinha, link, tratamento, vidaEstou fazendo 1 ano de tratamento. UM ANO! Isso significa que completaram-se 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45,2 segundos! (Ok, a essa hora já se passaram mais que isso...)
Minha felicidade é enorme!
Eu sei que vou acaba se tornando um pouco de repetição, mas o câncer tem lá seus méritos. Ele não vem pra acabar com você. Ele vem te dar um novo sentido.
Óbvio, eu nunca pensei em ter câncer. Coisa de maluco, né? Ninguém pensa que tem uma doença dessas assim, do nada. Nem com exames que sugeriam a doença, eu achava que não era. Não pra negar, nem imaginem algo assim. É que eu não sou pessimista, e o câncer é meio bravo.
Esses dias eu estava pensando no dia do meu diagnóstico. Em como todos sabiam, menos eu; em como eu recebi a notícia, tão serena. Mas gente, eu quase choro. Você para pra raciocinar, de verdade, quando tudo passa. Eu vejo o que me acontece agora e penso no que poderia estar diferente na minha vida.
Eu, pelo menos, não sabia como eu era. Não sei se todos que têm câncer têm essa reflexão. Achava que não podia mudar rápido, achava que do jeito que estava tudo iria bem. Talvez fosse, claro. Por que não?
Hoje eu sei que eu posso mudar, todos podem mudar. Mas a gente se acomoda. Acomoda de um modo que pensa que sair dali é impossível ou desnecessário.
É como se sentássemos em um sofá. Ele tá ali, confortável, cheio de almofadas, dá até pra tirar um cochilo. E a gente teima, não quer sair pra ir sentar numa cadeirinha de madeira. Sendo que o sofá, com os anos, vai ficando mole, as almofadas já estão bem desgastadas, e aquele lugarzinho preferido se torna ruim. Dá dor na coluna, dor no pescoço, cadê a posição confortável? É, penso que a cadeirinha de madeira não seria uma má ideia.
A gente teima em mudar quando o que nos acontece não está mais agradando. O meu corpo respondeu com a doença, e eu respondi com o meu espírito.
Ontem mesmo uma pessoa me perguntou: "Onde está o seu cabelo?". Caiu.
É, eu não me imaginava careca, nem ter aumentado tantos quilos, nem me preocupar em fazer exames, nem em tomar remédios... E isso é o de menos, mas eu criei um blog, fiz amigos, me uni com a minha família, dei duas entrevistas -- Tarde Livre e Jovens em Foco --, estudei, fiz meu trabalho de conclusão do curso e estou prestes a me formar, saí de casa, farreei! Não é maravilhoso?
E sabe? Eu estou bem! Aliás, estou ótima! Estou festejando um ano de vida! Eu renasci.
Minha visão é outra, completamente. Eu tive uma mudança interior. Talvez não visível a outrem, mas bastante perceptível pra mim. Minha vida é mais bonita, tem mais amor, tem mais fé, esperança, Deus, bondade e compreensão.
Realmente não sei se mudei e as pessoas perceberam, e foram se acomodando à minha nova realidade, mas muitos mudaram junto comigo.
Não importa a religião, não importa no que você crê: mas nós não estamos sozinhos. Pensar na humanidade, no futuro, são imprescindíveis.
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Minha felicidade é enorme!
Eu sei que vou acaba se tornando um pouco de repetição, mas o câncer tem lá seus méritos. Ele não vem pra acabar com você. Ele vem te dar um novo sentido.
Óbvio, eu nunca pensei em ter câncer. Coisa de maluco, né? Ninguém pensa que tem uma doença dessas assim, do nada. Nem com exames que sugeriam a doença, eu achava que não era. Não pra negar, nem imaginem algo assim. É que eu não sou pessimista, e o câncer é meio bravo.
Esses dias eu estava pensando no dia do meu diagnóstico. Em como todos sabiam, menos eu; em como eu recebi a notícia, tão serena. Mas gente, eu quase choro. Você para pra raciocinar, de verdade, quando tudo passa. Eu vejo o que me acontece agora e penso no que poderia estar diferente na minha vida.
Eu, pelo menos, não sabia como eu era. Não sei se todos que têm câncer têm essa reflexão. Achava que não podia mudar rápido, achava que do jeito que estava tudo iria bem. Talvez fosse, claro. Por que não?
Hoje eu sei que eu posso mudar, todos podem mudar. Mas a gente se acomoda. Acomoda de um modo que pensa que sair dali é impossível ou desnecessário.
É como se sentássemos em um sofá. Ele tá ali, confortável, cheio de almofadas, dá até pra tirar um cochilo. E a gente teima, não quer sair pra ir sentar numa cadeirinha de madeira. Sendo que o sofá, com os anos, vai ficando mole, as almofadas já estão bem desgastadas, e aquele lugarzinho preferido se torna ruim. Dá dor na coluna, dor no pescoço, cadê a posição confortável? É, penso que a cadeirinha de madeira não seria uma má ideia.
A gente teima em mudar quando o que nos acontece não está mais agradando. O meu corpo respondeu com a doença, e eu respondi com o meu espírito.
Ontem mesmo uma pessoa me perguntou: "Onde está o seu cabelo?". Caiu.
É, eu não me imaginava careca, nem ter aumentado tantos quilos, nem me preocupar em fazer exames, nem em tomar remédios... E isso é o de menos, mas eu criei um blog, fiz amigos, me uni com a minha família, dei duas entrevistas -- Tarde Livre e Jovens em Foco --, estudei, fiz meu trabalho de conclusão do curso e estou prestes a me formar, saí de casa, farreei! Não é maravilhoso?
E sabe? Eu estou bem! Aliás, estou ótima! Estou festejando um ano de vida! Eu renasci.
Minha visão é outra, completamente. Eu tive uma mudança interior. Talvez não visível a outrem, mas bastante perceptível pra mim. Minha vida é mais bonita, tem mais amor, tem mais fé, esperança, Deus, bondade e compreensão.
Realmente não sei se mudei e as pessoas perceberam, e foram se acomodando à minha nova realidade, mas muitos mudaram junto comigo.
Não importa a religião, não importa no que você crê: mas nós não estamos sozinhos. Pensar na humanidade, no futuro, são imprescindíveis.
♡
terça-feira, 15 de setembro de 2009 amigos, amor, Deus, família, pensando, vidaUma coisa que eu venho pensando é nessa loucura que certas pessoas têm por ídolos, objetos, comidas, times, o que for.
Quando eu era mais nova -- aquela adolescente --, era fã de muito artista por aí, comprava CD, escrevia cartinha, achava o máximo! Mas, de boa, esse fanatismo não era pra acabar? Não passa com a idade?
Colecionar não é comigo. Já juntei tanto bagulho, que nem sei onde guardo mais. Toda faxina leva embora pro lixo um bocado.
Eu até imagino -- e imagino bastante --, como deve ser extraordinário ter uma legião de admiradores que ficam felizes com o seu trabalho, repetem suas músicas, vão aos shows, teatros, vêem suas reportagens... Eu, por exemplo, simplesmente adoro quando recebo algum comentário sobre o blog ou sobre mim, sobre a opinião de alguém ao ler o que escrevi, o retorno que recebo ao saber que posso ajudar.
Mas será que esse amor roxo é normal?
Já faz um tempo que eu não amo mais quem eu não conheço -- artores, cantores, diretores, escritores, dançarinos... Gosto de alguns cantores, mas eu gosto mesmo é de música bonita. Tendo isso, tá ok. Gosto de animação, gosto de ver o mundo, gosto de viajar, mas não morro por nada. Não tenho mais ídolos.
Sou fã mesmo é de meu pai, da minha mãe, das minhas irmãs e irmão lindos, dos meus amigos, do meu amor, da minha família.
E Deus, que me abençõa a cada dia.
Amo muito mais, mas esses são meus queridinhos.
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Quando eu era mais nova -- aquela adolescente --, era fã de muito artista por aí, comprava CD, escrevia cartinha, achava o máximo! Mas, de boa, esse fanatismo não era pra acabar? Não passa com a idade?
Colecionar não é comigo. Já juntei tanto bagulho, que nem sei onde guardo mais. Toda faxina leva embora pro lixo um bocado.
Eu até imagino -- e imagino bastante --, como deve ser extraordinário ter uma legião de admiradores que ficam felizes com o seu trabalho, repetem suas músicas, vão aos shows, teatros, vêem suas reportagens... Eu, por exemplo, simplesmente adoro quando recebo algum comentário sobre o blog ou sobre mim, sobre a opinião de alguém ao ler o que escrevi, o retorno que recebo ao saber que posso ajudar.
Mas será que esse amor roxo é normal?
Já faz um tempo que eu não amo mais quem eu não conheço -- artores, cantores, diretores, escritores, dançarinos... Gosto de alguns cantores, mas eu gosto mesmo é de música bonita. Tendo isso, tá ok. Gosto de animação, gosto de ver o mundo, gosto de viajar, mas não morro por nada. Não tenho mais ídolos.
Sou fã mesmo é de meu pai, da minha mãe, das minhas irmãs e irmão lindos, dos meus amigos, do meu amor, da minha família.
E Deus, que me abençõa a cada dia.
Amo muito mais, mas esses são meus queridinhos.
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